A autorização do novo concurso da Controladoria-Geral da União (CGU), publicada pela Portaria MGI nº 5.093/2026 com 60 vagas para Auditor Federal de Finanças e Controle, passou a ser alvo de questionamentos por parte da categoria
Em publicações nas redes sociais, a Associação dos Servidores da CGU (ASCGU) afirmou que o quantitativo é insuficiente para recompor o quadro de pessoal e voltou a cobrar a realização de concurso também para o cargo de Técnico Federal de Finanças e Controle.
“Enquanto o Ministro anuncia 60 vagas, a CGU perdeu 25% do quadro na última década. É preciso reestruturação real. A necessidade da CGU ultrapassa 1.500 novos servidores. E a ASCGU pergunta: onde estão as vagas para Técnicos de Finanças e Controle?”, publicou a entidade.
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Déficit de pessoal e cobrança por recomposição real
Segundo a ASCGU, a CGU acumula hoje mais de 3.000 cargos vagos e opera com força de trabalho muito abaixo do previsto para desempenhar suas atividades de auditoria, controle interno e combate à corrupção.
A associação destaca que a instituição perdeu cerca de um quarto de sua força de trabalho na última década e defende uma política permanente de recomposição de servidores.
Em outra publicação, a entidade foi mais direta: “A CGU opera com um abismo entre a realidade e a necessidade. Temos mais de 3.000 cadeiras vazias. Isso significa que o combate à corrupção no Brasil está operando com ‘metade da força’. Temos apenas 1.782 servidores, quando o ideal seria o reforço de pelo menos 1.500 novos servidores.”
Para a ASCGU, as 60 vagas autorizadas representam um avanço, mas estão longe de resolver o problema estrutural enfrentado pela carreira.
O “apagão técnico”: onde estão as vagas para Técnico?
O ponto mais crítico levantado pela ASCGU diz respeito à ausência de vagas para o cargo de Técnico Federal de Finanças e Controle, de nível médio.
Segundo a associação, há apenas 242 Técnicos em atividade atualmente, o equivalente a apenas 12% da previsão legal do quadro de cargos.
A entidade classifica a situação como um “apagão técnico” e aponta que a carreira vem sendo gradualmente esvaziada ao longo dos últimos anos. O percentual de pessoas “fora da carreira” (19%) é o dobro do que deveria ser, segundo a associação.
A ASCGU questiona ainda o fato de o Governo Federal ter autorizado vagas apenas para Auditor, apesar de a própria Controladoria ter solicitado concurso para ambas as carreiras. “Não se faz controle de Estado com improviso e cargos vagos. Se o governo quer transparência, precisa primeiro valorizar a Carreira de Finanças e Controle”, publicou a entidade.
O que foi autorizado: 60 vagas para Auditor
A autorização vigente, publicada pela Portaria MGI nº 5.093/2026 em 24/06/2026, prevê as seguintes informações:
| Item | Informação |
|---|---|
| Cargo | Auditor Federal de Finanças e Controle |
| Vagas autorizadas | 60 |
| Escolaridade | Nível superior — qualquer área |
| Remuneração inicial | R$ 20.924,80 |
| Prazo para edital | Até 6 meses (até 24/12/2026) |
| Organizador | A definir (último concurso foi FGV) |
A distribuição das 60 vagas por modalidade é a seguinte:
| Modalidade | Vagas |
|---|---|
| Ampla concorrência | 39 |
| Pessoas negras | 15 |
| Pessoas com deficiência | 3 |
| Indígenas | 2 |
| Quilombolas | 1 |
| Total | 60 |
Apesar do número autorizado, a Unacon Sindical informou anteriormente que existe possibilidade de aproveitamento de até 100% dos candidatos excedentes durante a validade do concurso, o que poderia resultar em até 120 nomeações, condicionadas à disponibilidade orçamentária e nova autorização do MGI.
Próximos passos do concurso CGU
Com a autorização publicada, a CGU inicia os preparativos internos, que incluem a formação da comissão organizadora e a contratação da banca responsável pelo certame. O edital deverá ser publicado em até 6 meses a contar da portaria.
Último concurso CGU — 2021
O último concurso da CGU foi realizado em 2021, sob organização da FGV, com 375 vagas distribuídas entre dois cargos:
| Cargo | Vagas | Nível |
|---|---|---|
| Auditor Federal de Finanças e Controle | 300 | Superior |
| Técnico Federal de Finanças e Controle | 75 | Médio |
As provas foram aplicadas em Brasília, Porto Alegre, Recife, São Paulo e em todas as capitais da Região Norte. A prova objetiva do Auditor teve 110 questões, valendo 1 ponto cada. A prova objetiva do Técnico teve 80 questões, sendo 30 de Conhecimentos Básicos e 50 Específicos. Ambos os cargos passaram também por provas discursivas, heteroidentificação e perícia médica para candidatos às vagas reservadas.
O concurso de 2021 seguiu vigente até junho de 2026, após prorrogação do prazo de validade.

