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MGI prevê onda de aposentadorias: mais de 70 mil servidores podem deixar o governo federal até 2030

Em coletiva sobre o CNU, ministra Esther Dweck apresentou dados que mostram um déficit histórico de reposição e um futuro promissor para novos concursos

O Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) estima que, entre 2026 e 2030, mais de 70 mil servidores públicos federais podem se aposentar. A projeção foi apresentada na última terça-feira (17/3) pela ministra Esther Dweck durante balanço da segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU).

Os números acendem um alerta positivo para quem está de olho em uma vaga no serviço público: a iminente saída em massa de servidores pode abrir caminho para novos concursos e reposição de quadros nos próximos anos.

Déficit histórico e reposição ainda tímida

De acordo com os dados do Painel Estatístico de Pessoal (PEP), entre 2016 e 2022, o saldo de servidores no Executivo federal (excluindo instituições federais de ensino) foi negativo em mais de 70 mil vagas. O período mais crítico ocorreu entre 2019 e 2022, quando o saldo entre ingressos e aposentadorias ficou negativo em 44.502 vínculos.

Confira a evolução do quadro de pessoal no período:

PeríodoIngressosAposentadoriasSaldo
2016–20186.47527.555–21.078
2019–202210.78555.067–44.502
2023–2025*19.38116.546+2.835

*Dados parciais até março de 2025.

A ministra destacou que, apesar do saldo positivo no período recente (2.835 vagas), o número está muito aquém do necessário para repor as perdas acumuladas. “A gente teve uma saída líquida de mais de 70 mil pessoas entre 2016 e 2022. A recomposição atual ainda é muito pequena diante do que seria necessário”, afirmou.

Oportunidades à vista

O dado mais relevante para concurseiros é a projeção para o próximo quinquênio. Com a expectativa de 70 mil aposentadorias até 2030, a tendência é que o governo federal precise autorizar novos certames para reocupar esses postos e garantir a continuidade dos serviços públicos.

Dweck lembrou que, ao assumir o governo em 2023, a equipe encontrou um quadro de servidores defasado, com queda no investimento em reposição e congelamento salarial por anos. “Muitas carreiras não tinham reajuste desde 2017”, pontuou.

Apesar da necessidade, a ministra fez questão de rebater críticas sobre um suposto “inchaço da máquina pública”. Segundo ela, o crescimento das contratações respeita o arcabouço fiscal e representa, em termos de percentual do PIB, uma leve queda. “Estamos muito longe de ter uma máquina inchada. É o contrário: estamos repondo, de forma gradual e responsável, o que foi perdido”, explicou.

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O que esperar para os próximos anos?

Especialistas em concursos públicos avaliam que o cenário é de reposição gradual, mas contínua. Órgãos como ministérios, autarquias e agências reguladoras devem ser os primeiros a solicitar novos concursos, especialmente aqueles com maior déficit de pessoal.

A fala da ministra reforça ainda que a recomposição das carreiras e a abertura de novas vagas fazem parte de uma estratégia de fortalecimento da capacidade do Estado de entregar políticas públicas.

Para o concurseiro, a mensagem é clara: o planejamento para os próximos anos deve levar em conta um ciclo virtuoso de concursos federais, impulsionado pela combinação de aposentadorias iminentes e a necessidade de renovação da força de trabalho no serviço público.

Confira, a seguir, a coletiva da ministra na íntegra:

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