Início Notícias Concurso TJ PE: PMs, guarda municipal e policial penal são presos por fraude; provas serão reaplicadas

Concurso TJ PE: PMs, guarda municipal e policial penal são presos por fraude; provas serão reaplicadas

Operação Kyma prende agentes de segurança de três estados que atuaram como organizadores e clientes em esquema de vazamento de gabaritos

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou na última quarta-feira (25/3) a Operação Kyma, que investiga um sofisticado esquema de fraude no concurso TJ PE (Tribunal de Justiça de Pernambuco).

A ação resultou no cumprimento de 11 mandados de prisão, sendo que quatro dos presos são agentes de segurança pública, o que chocou a opinião pública e acendeu o alerta sobre a segurança dos certames no país.

As investigações apontam que os servidores públicos envolvidos tinham papéis distintos dentro da organização criminosa, que atuou para beneficiar candidatos no concurso para o cargo de Técnico Judiciário, cujas provas foram realizadas em setembro de 2025 e posteriormente anuladas pelo Tribunal.

Agentes da lei entre os investigados

Dos 11 mandados de prisão expedidos pela 15ª Vara Criminal da Capital, quatro atingiram diretamente agentes de segurança pública. Entre os presos estão:

  • 2 policiais militares (um de Pernambuco e outro do Piauí);
  • 1 guarda municipal do Rio Grande do Norte;
  • 1 policial penal.

De acordo com a Polícia Civil, as funções no esquema variavam. Enquanto um dos policiais militares atuava na logística e distribuição dos equipamentos usados para burlar a fiscalização, os outros agentes (o segundo PM, o guarda e o policial penal) figuravam como “clientes” da quadrilha, ou seja, eram candidatos que contrataram os serviços criminosos para garantir a aprovação.

Além das prisões, um terceiro policial militar foi alvo de mandado de busca e apreensão. Ao todo, a operação cumpriu 22 mandados de busca em cidades como Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Vitória de Santo Antão, Petrolina, além de diligências no estado do Rio Grande do Norte.

Como funcionava o esquema no concurso TJ PE

A investigação revelou que a organização criminosa dividia a atuação em duas frentes principais para garantir a fraude no concurso TJ PE:

  1. Infiltração e vazamento: Um integrante se infiltrou na equipe responsável pela aplicação das provas, teve acesso antecipado ao conteúdo, registrou as imagens e repassou ao líder do grupo.
  2. Resolução e distribuição: O material vazado era enviado a “professores” que resolviam as questões. Os gabaritos eram então vendidos para os clientes.

Para utilizar as informações privilegiadas durante a aplicação das provas, os candidatos faziam uso de tecnologia de ponta. A quadrilha empregava:

  • Pontos eletrônicos intra-auriculares conectados a celulares;
  • Dispositivos em formato de cartão que recebiam sinal via bluetooth;
  • Anotações escondidas em roupas.

A perícia apontou que os equipamentos eram modificados para não serem detectados por portais de metal. Há indícios de que até componentes internos de celulares eram alterados para reduzir a carga metálica, e parte do material pode ter sido importada da Europa.

Valores e consequências

Os candidatos que contratavam o esquema pagavam uma entrada que variava entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. Caso fossem aprovados, o valor final do “acordo” podia chegar a até R$ 70 mil, dependendo do cargo e da classificação.

Os envolvidos responderão por crimes de organização criminosa, fraude em concurso público e lavagem de dinheiro. Parte dos valores era movimentada por intermédio de terceiros (laranjas) para dificultar o rastreamento financeiro.

Situação do concurso TJ PE e reaplicação

Com a confirmação das irregularidades, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ PE) anulou as provas do cargo de Técnico Judiciário. De acordo com o Edital nº 02/2026, a reaplicação das provas objetivas e discursivas para este cargo está agendada para o dia 12 de abril de 2026.

É importante ressaltar que as provas para os cargos de Analista Judiciário e Oficial de Justiça permanecem válidas, pois não há indícios de comprometimento nesses exames.

A Operação Kyma segue em andamento, e a Polícia Civil continua investigando para identificar todos os envolvidos no esquema que manchou a lisura de um dos concursos mais aguardados do estado.

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