No último domingo (7/6), mais de 22 mil pessoas realizaram a quinta edição do Exame Nacional da Magistratura em todo o Brasil. O ENAM 2026.1, promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), é etapa obrigatória para bacharéis em Direito que pretendem prestar concursos públicos para ingresso na magistratura.
Com 31.548 inscritos no total, o índice de abstenção nacional ficou em 29%. O certame foi aplicado em todas as capitais brasileiras, e as comissões do ENAM não registraram nenhuma intercorrência durante a realização das provas.
Perfil dos candidatos e democratização do acesso
Os números do ENAM 2026.1 revelam um perfil diverso entre os participantes. Do total de inscritos, 5.187 são pessoas negras, 1.709 são pessoas com deficiência (PcD), 41 são indígenas e 18 são quilombolas. Outro dado expressivo é a maioria feminina: 55% das pessoas inscritas são mulheres.
O diretor-geral da Enfam, ministro Benedito Gonçalves, destacou a importância do exame para tornar a magistratura mais acessível a grupos historicamente minorizados.
“O ENAM conquistou o objetivo de sua criação, que é democratizar o acesso à carreira, porque fez com que grupos minorizados da sociedade viessem à magistratura. Esses grupos poderiam ter um curso bem-feito de Direito mas olhavam a carreira como um pódio que não alcançavam. O ENAM veio mostrar que eles podem vir”, afirmou o ministro.
O magistrado também ressaltou a abordagem humanística da prova, que vai além do conhecimento técnico: “Nas escolas judiciais e da magistratura, trabalhamos para traduzir para novas juízas e novos juízes não só o conhecimento técnico e jurídico, mas formamos profissionais para que sejam éticos, respeitadores dos direitos humanos e que saibam utilizar da forma correta as novas tecnologias.”
Representatividade em números
A secretária-geral da Enfam, juíza federal Mara Lina Silva do Carmo, enfatizou o impacto do exame na composição da magistratura brasileira. Desde a primeira edição do ENAM, 5.141 pessoas negras já foram habilitadas, num total de 17 mil aprovados em todas as edições.
“É importante destacar a democratização do acesso. A partir do momento em que aproximadamente 5 mil pessoas negras já foram aprovadas no ENAM em todas as edições, dentre as 17 mil, isso faz com que as pessoas negras tenham mais acesso aos concursos públicos para a magistratura e com isso a gente tenha uma magistratura que reflita mais a demografia brasileira, que é composta majoritariamente por pessoas negras”, observou a secretária-geral.
Próximas etapas do cronograma
Os candidatos que participaram do ENAM 2026.1 já podem se preparar para as próximas fases do certame:
- 9 de junho de 2026 – Divulgação do gabarito preliminar
- 10 e 11 de junho de 2026 – Prazo para interposição de recursos contra o gabarito preliminar e contra a aplicação da prova
- 18 de agosto de 2026 – Publicação do resultado final
- 24 de agosto de 2026 – Homologação do resultado
O gabarito preliminar estará disponível para consulta a partir desta quarta-feira (9), no site oficial da Enfam.
Importância estratégica para concurseiros
Para os bacharéis em Direito que almejam carreiras na magistratura estadual, federal ou do trabalho, a aprovação no ENAM é requisito indispensável antes de prestar os concursos específicos de cada tribunal. O exame avalia não apenas conhecimentos jurídicos, mas também competências éticas, humanísticas e o uso adequado de novas tecnologias, habilidades cada vez mais cobradas nos certames de alto nível.
Com a consolidação do ENAM 2026.1 como porta de entrada para a magistratura, os concurseiros devem ficar atentos ao cronograma e já iniciar os preparativos para as próximas edições, considerando o perfil da prova e as tendências de valorização da diversidade e dos direitos humanos.
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