Maria Lívia Custódio Rangel Fonseca, com apenas 25 anos, alcançou um feito que muitos candidatos sonham por anos: a aprovação na magistratura no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ RJ). Natural de Guaratinguetá (SP), mas criada em Aparecida, a jovem formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e cresceu em uma família que sempre valorizou a educação.
A mãe da jovem, que enfrentou uma infância difícil em orfanatos e chegou a vender sorvetes sob muito sol para sustentar as filhas, e o pai, que se tornou advogado quando as irmãs já eram nascidas, nunca mediram esforços para que Maria Lívia tivesse acesso aos melhores livros e oportunidades de estudo.
O sonho de conquistar a magistratura nasceu ao acompanhar o pai, advogado, em um júri. Certo dia, ao ver a juíza conduzir a sessão, correu até o gabinete dela e perguntou o que era preciso para seguir a mesma carreira. “Estudar muito”, respondeu a magistrada.
A resposta simples foi o suficiente para mudar sua trajetória. Ainda adolescente, Maria Lívia já fazia as contas de acordo com a Resolução do CNJ e dizia: “Pai, serei juíza aos 25 anos, pode anotar”.
Preparação, rotina de estudos e desafios
Aos 16 anos, Maria Lívia já morava sozinha para cursar Direito. Desde a graduação, manteve um foco intenso: lia doutrinas densas, acompanhava votos de ministros do STJ indicados por professores e transformou o curso em um verdadeiro ensaio para a aprovação. “Posso dizer, com muita segurança, que fiz uma faculdade toda voltada para a concretização desse sonho”, afirma.
Após a formatura, iniciou uma preparação direcionada que durou três anos e cinco meses. Nesse período, conciliou os estudos com o trabalho como assessora em varas de grande volume processual, o que trouxe ainda mais desafios. A disciplina foi fundamental: acordava às 4h da manhã e buscava estudar, no mínimo, cinco horas por dia. Quando não atingia essa meta, considerava que havia tido um dia ruim de estudos.
A estratégia consistia em construir primeiro uma base sólida das matérias mais extensas, para depois intercalar conteúdos maiores com menores. As revisões eram feitas por meio de questões objetivas, simulados discursivos e exercícios aleatórios, que serviam como parâmetro para identificar os pontos que precisavam ser retomados.

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O apoio do Magistrar rumo ao cargo de Juíza
Embora só tenha conhecido o Magistrar no meio da preparação, Maria Lívia reconhece que o curso foi determinante em sua reta final. “Penso que se tivesse conhecido antes, muita dor de cabeça me seria poupada”, afirma.
Ela destaca, principalmente, o suporte da equipe na fase oral, quando contou com artigos de aprofundamento, aulas específicas e até orientações sobre postura e oratória que trouxeram fôlego extra no momento em que o cansaço já era grande. “O Magistrar foi um anjo nas 24 horas que antecederam à prova oral. A equipe me apoiou de forma incrível, selecionando materiais e até organizando meu estudo nesse momento decisivo”, conta.
María Lívia comemora aprovação ao lado de seus pais e irmã.
Dicas para futuros candidatos
Para Maria Lívia, assumir a magistratura aos 25 anos representa um grande desafio, especialmente diante de comentários que colocam em dúvida sua maturidade. Ela entende, no entanto, que a função exige plena consciência da responsabilidade: decisões que impactam vidas, a necessidade de imparcialidade e, ao mesmo tempo, a sensibilidade para não ser indiferente aos problemas enfrentados pelos jurisdicionados.
A aprovação da jovem é inspiração para quem está no mesmo caminho. Sua principal mensagem é de perseverança: “Não desistam. Muitas vezes parece que navegamos em um mar sem uma ilha à vista, mas a vista da terra é incrível. Façam da magistratura o propósito da vida de vocês. É isso que nos mantém firmes nos dias difíceis”, reforça.

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