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Magistratura: o que é e quais as carreiras possíveis

Entenda o que é magistratura, como ingressar na carreira de juiz e quais são as áreas de atuação na Justiça brasileira.

A magistratura é uma das carreiras jurídicas mais tradicionais e prestigiadas do país. Ela envolve o exercício da função de julgar conflitos com base na Constituição e nas leis brasileiras. Os profissionais que atuam nessa área são chamados de magistrados, juízes e desembargadores, sendo responsáveis por garantir o cumprimento da Justiça no âmbito do Poder Judiciário.

Se você tem formação em Direito e busca uma carreira com estabilidade, boa remuneração e forte impacto social, a magistratura pode ser o caminho ideal. 

Neste guia, você vai entender melhor o que é a Magistratura, quais são as possibilidades de atuação, como ingressar na carreira e quais habilidades são importantes para quem deseja se tornar um magistrado.

O que faz um magistrado?

O magistrado é o profissional responsável por conduzir processos judiciais, analisar provas e aplicar a lei para resolver disputas entre pessoas, empresas e o Estado. Ele garante que os direitos individuais e coletivos sejam respeitados, tomando decisões com imparcialidade e base legal.

Na prática, isso significa presidir audiências, ouvir testemunhas, determinar diligências, proferir sentenças e acompanhar o cumprimento de decisões judiciais.

Qual é a diferença entre juiz e magistrado?

Em termos simples, a diferença entre juiz e magistrado está na abrangência dos termos. Magistrado é um conceito mais amplo, que engloba todos os membros do Poder Judiciário com poder de julgar, como juízes, desembargadores e ministros. 

Já o juiz é uma das carreiras dentro da magistratura, geralmente atuando na primeira instância, na qual conduz processos, toma decisões e assegura o cumprimento das leis. Ou seja, todo juiz é um magistrado, mas nem todo magistrado é um juiz.

Quais são as carreiras possíveis na Magistratura?

A carreira na magistratura está organizada em diferentes níveis e áreas de atuação. As principais são:

1. Magistratura Estadual

Inclui os juízes e desembargadores que atuam na Justiça dos Estados. São responsáveis por julgar a maioria das causas civis e criminais, como questões de família, propriedade, contratos, responsabilidade civil e crimes comuns. 

Os juízes estaduais atuam nas comarcas, em primeira instância, enquanto os desembargadores integram os Tribunais de Justiça (TJs), que funcionam como segunda instância e têm a função de revisar decisões tomadas pelos juízes nas instâncias inferiores.

2. Magistratura Federal

Compreende juízes federais e desembargadores dos Tribunais Regionais Federais (TRFs). Atuam em causas que envolvem a União, autarquias e empresas públicas federais, além de julgar crimes federais (como tráfico internacional, crimes contra o sistema financeiro, entre outros).

3. Justiça do Trabalho

Voltada para conflitos entre empregadores e empregados. A magistratura do trabalho julga ações sobre verbas rescisórias, acidentes de trabalho, assédio moral e outros temas relacionados às relações de trabalho. 

Na Justiça do Trabalho, os processos começam com os juízes nas Varas do Trabalho. Os recursos são analisados pelos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), e as decisões finais sobre os temas mais importantes cabem aos ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

4. Justiça Eleitoral

Trata de questões relacionadas às eleições, como registro de candidaturas, propaganda eleitoral, ações de impugnação e diplomação de eleitos. Os magistrados eleitorais também fiscalizam a regularidade do processo eleitoral. 

A atuação ocorre em três níveis: juízes nas zonas eleitorais, os TREs nos estados e, como instância máxima, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que garante a uniformidade das decisões no país.

5. Justiça Militar

Julga crimes militares cometidos por membros das Forças Armadas ou das polícias militares e bombeiros estaduais. A atuação é mais restrita e especializada.

Como se tornar magistrado?

Para ingressar na magistratura, é necessário ser aprovado em concurso público, que costuma ser bastante concorrido e exige uma preparação aprofundada. Os principais requisitos são:

  • Diploma de bacharel em Direito;
  • Experiência jurídica de, no mínimo, três anos (após a graduação, comprovada em atividades como advocacia, estágio pós-formado, atuação no Ministério Público, Defensoria, entre outras);
  • Aprovação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM), etapa obrigatória para se inscrever nos concursos de magistratura;
  • Aprovação em concurso público, que inclui várias fases, como prova objetiva, discursiva, prática de sentença, prova oral e avaliação de títulos.

Além disso, é preciso ter reputação ilibada, idoneidade moral e não possuir antecedentes criminais.

Quais são as etapas do concurso de magistratura?

Para quem está começando a se preparar, é essencial entender o funcionamento do ENAM. Desde 2024, ele se tornou uma etapa eliminatória obrigatória para quem deseja seguir a carreira de juiz. 

O Exame Nacional da Magistratura, no entanto, não faz parte dos concursos públicos para magistratura, ele é uma fase anterior e independente, exigida como pré-requisito para que o candidato possa se inscrever nos concursos da magistratura federal ou estadual.

Esse exame, de abrangência nacional, foi criado com o objetivo de padronizar a avaliação dos conhecimentos básicos exigidos para o ingresso na carreira.

Desde 2024, o exame passou a ser aplicado duas vezes por ano. Em 2025, a primeira edição teve inscrições abertas em fevereiro, enquanto a segunda iniciou o período de inscrições em julho.

A aprovação no ENAM é o primeiro passo para quem deseja seguir a carreira. Somente após essa etapa, o candidato poderá se inscrever nos concursos de magistratura promovidos pelos tribunais estaduais ou federais. A partir daí, o processo seletivo costuma seguir as seguintes etapas:

  • Prova objetiva (múltipla escolha): abrange conhecimentos em Direito Constitucional, Civil, Penal, Processual, Administrativo, Tributário, Empresarial e outros;
  • Provas escritas (discursiva e prática de sentença): avaliam a capacidade de argumentação, escrita e aplicação da lei;
  • Inscrição definitiva e sindicância da vida pregressa;
  • Prova oral: os candidatos respondem a perguntas da banca examinadora ao vivo;
  • Avaliação de títulos: são somados pontos por especializações, mestrados, doutorados, livros publicados, tempo de exercício jurídico, entre outros.

Existe um estatuto da magistratura?

Durante a carreira, os magistrados devem seguir regras específicas previstas no estatuto da magistratura, que inclui a Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN). Esse conjunto de normas estabelece os direitos, deveres, garantias e impedimentos da carreira.

Além disso, o Código de Ética da Magistratura orienta a conduta dos juízes e juízas, reforçando a necessidade de imparcialidade, transparência e respeito às partes envolvidas nos processos.

Salário: quanto ganha um magistrado?

A remuneração dos magistrados varia conforme o nível da carreira e a localidade, mas costuma ser bastante atrativa. Um juiz substituto, por exemplo, inicia com salário próximo ao teto do funcionalismo público (R$ 33 mil, em média). Com o tempo, o valor pode aumentar conforme promoções, gratificações e adicionais.

Vale a pena seguir carreira na magistratura?

A carreira na magistratura é exigente e requer grande dedicação aos estudos e à atuação ética. Por outro lado, oferece estabilidade (cargo vitalício após dois anos de estágio probatório), prestígio social, bons salários e a oportunidade de contribuir diretamente com a Justiça e o bem-estar da sociedade.

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