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Advogado da União: guia sobre a carreira

Confira o que faz um Advogado da União, salários, requisitos e como se preparar para o concurso.

O cargo de Advogado da União é um dos mais disputados do país e se destaca pelo peso estratégico dentro da Advocacia-Geral da União (AGU) e pelos benefícios que oferece. Além de atuar em decisões que influenciam diretamente a administração pública federal, o profissional contra com estabilidade e uma remuneração que começa acima dos R$ 21 mil e pode chegar a cerca de R$ 27 mil na categoria especial.

O que faz um Advogado da União?

O Advogado da União atua como representante legal do Estado brasileiro, defendendo seus interesses em disputas judiciais ou extrajudiciais e oferecendo orientação jurídica aos órgãos do Poder Executivo. Cabe a ele garantir que contratos, políticas públicas, atos administrativos e normas estejam alinhados à Constituição e às leis, prevenindo irregularidades e fortalecendo a segurança jurídica das decisões governamentais.

Entre as principais funções desse cargo estão:

  • Representação em processos contra a União: atua em causas que envolvem o governo federal, como ações tributárias, previdenciárias, ambientais, trabalhistas ou constitucionais, buscando proteger o patrimônio público e assegurar a aplicação correta da lei.
  • Análise e orientação jurídica: examina contratos, pareceres e projetos apresentados pelos ministérios e outros órgãos federais, garantindo que cada decisão administrativa esteja de acordo com a Constituição e demais normas.
  • Atuação em instâncias superiores: pode defender teses relevantes para a União em tribunais como o STF, STJ e TST, ajudando a consolidar entendimentos jurídicos importantes para a administração pública.
  • Cobrança de valores devidos ao governo: trabalha na recuperação de créditos inscritos em dívida ativa, reforçando o caixa da União.
  • Participação na formulação de políticas públicas: colabora com gestores e equipes técnicas para avaliar a viabilidade jurídica de novos programas, leis e regulamentos, evitando que projetos sejam questionados por inconstitucionalidade ou ilegalidade.

O que é preciso para ser advogado da AGU?

Para integrar a carreira de Advogado da União, é preciso ser aprovado em concurso público nacional organizado pela Advocacia-Geral da União. Os candidatos precisam ter bacharelado em Direito e inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comprovando habilitação para o exercício da advocacia.

Veja também: O que fazer depois da aprovação no Exame da OAB?

Quanto ganha um Advogado da União?

De acordo com a Lei nº 13.327/2016, o subsídio parte de R$ 21 mil para quem ingressa na 2ª categoria, pode alcançar aproximadamente R$ 24,1 mil na 1ª categoria e chega a valores próximos de R$ 27,3 mil para quem atinge a classe especial.

Além do subsídio, esses profissionais recebem benefícios como auxílio-alimentação, auxílio-saúde. Em situações excepcionais, também podem ter direito a medidas de proteção pessoal quando atuam em processos que envolvam riscos.

Qual a diferença entre procurador e Advogado da União?

Embora façam parte da mesma instituição, os Advogados da União se diferenciam de outros membros da AGU, como os Procuradores Federais, os Procuradores da Fazenda Nacional e os Procuradores do Banco Central, pois cada um atua em áreas e demandas específicas.

Os Procuradores Federais representam judicial e extrajudicialmente as autarquias e fundações públicas federais, enquanto os Procuradores da Fazenda Nacional concentram-se na cobrança da dívida ativa e em questões tributárias da União. 

Já os Procuradores do Banco Central lidam com temas relacionados ao sistema financeiro nacional e às atividades da autarquia. 

Fora da estrutura da AGU, há ainda os Procuradores Estaduais e Municipais, que exercem funções semelhantes, mas em defesa dos interesses jurídicos de estados e municípios.

Quais são os concursos para ser um advogado da união?

Para ingressar na carreira de Advogado da União é necessário ser aprovado em concurso público nacional promovido pela Advocacia-Geral da União. 

O último edital do Concurso para Advogado da União, em 2022, ofereceu 100 vagas imediatas e formação de cadastro de reserva. A banca organizadora foi o Cebraspe, e o edital exigia graduação em Direito, inscrição na OAB e comprovação de, pelo menos, dois anos de prática forense. 

A seleção foi composta por diversas etapas: prova objetiva, provas discursivas, avaliação oral, sindicância de vida pregressa e análise de títulos. Os aprovados iniciaram a carreira na 2ª categoria, com remuneração em torno de R$ 21 mil, além de benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-saúde.

Atualmente não há concurso em andamento, mas, segundo informações da própria AGU, um novo edital está previsto para 2026.

Veja também: Concurso do TRF 4 para Juiz: há expectativa de novo edital em breve?

O que precisa estudar para o concurso da AGU?

A preparação para o cargo de Advogado da União exige atenção especial às seguintes etapas e disciplinas:

Prova objetiva

A primeira fase é composta por 100 questões de múltipla escolha, aplicadas em 5 horas, com valor de 100 pontos. O conteúdo é organizado da seguinte forma:

GrupoDisciplinasNº de questões
Grupo IDireito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário, Legislação da Advocacia-Geral da União, Gestão de Conflito e Governança, Direito Financeiro e Econômico, Direito Ambiental46
Grupo IIDireito Civil, Direito Processual Civil, Direito Empresarial, Direito Internacional Público e Privado34
Grupo IIIDireito Penal e Processual Penal, Direito do Trabalho e Processual do Trabalho, Direito da Seguridade Social, Direito Eleitoral20

Os temas do Grupo I concentram quase metade das questões e costumam ter maior peso nas seguintes fases, por isso merecem prioridade nos estudos.

Provas discursivas

Há três provas discursivas, cada uma com duração de 5 horas, são elas:

  • Discursiva I: elaboração de um parecer (até 120 linhas) e resposta a três questões, com ênfase nos conteúdos do Grupo I.
  • Discursiva II: redação de uma peça judicial (até 120 linhas) e três questões, abordando principalmente os Grupos I e II.
  • Discursiva III: produção de uma dissertação (até 120 linhas) e três questões, voltadas aos temas dos Grupos I e III.

Outras etapas

Após as discursivas, o candidato passa pela inscrição definitiva que seleciona os melhores classificados com listas específicas para ampla concorrência, candidatos negros e pessoas com deficiência. 

Depois, vem a prova oral, em sessão pública, com até 25 minutos de arguição pela banca. Nessa etapa, são avaliados o domínio jurídico, a clareza de raciocínio, a argumentação e o uso adequado da língua portuguesa. A nota mínima exigida é de 50 pontos.

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