Advogado por 16 anos e aluno do Magistrar, Rodrigo Rocha (42), transformou uma preparação marcada por desafios em um exemplo de perseverança, disciplina e gestão inteligente do próprio tempo.
Filho de pedreiro, Rodrigo sempre teve na educação a chave para abrir novos caminhos, mesmo em uma família humilde. Agora, como Juiz do Trabalho, ele compartilha as soluções que encontrou para conciliar suas características pessoais, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), com a exigente rotina de estudos até a aprovação.

Preparação estratégica e estudo sustentável
Sem adotar técnicas tradicionais como o Pomodoro, Rodrigo encontrou na leitura atenta dos materiais preparatórios e no estudo sistemático da lei seca a base de sua preparação. Ele estudava, em média, 3,5 horas líquidas por dia em um ambiente isolado, com músicas instrumentais que o ajudavam a manter o foco.
A reta final foi marcada por escolhas estratégicas: priorizar as matérias em que tinha menor domínio e intensificar a prática com questões e simulados. Para os treinos de sentença, Rodrigo elaborou “auto-textos”, modelos de decisão que o ajudaram a ganhar velocidade e segurança.
“É natural que o candidato passe por frustrações ao longo da jornada, mas cada reprovação fortalece as raízes que vão sustentar a aprovação. O segredo é não desistir”
Foi também nesse momento que o apoio de cursos especializados fez diferença. “Essa blindagem técnica e psicológica foi decisiva para infundir confiança e assegurar a vitória no certame. Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que os profissionais do Magistrar seguraram na minha mão e me ajudaram a cruzar a linha de chegada”, afirma.

O hiperfoco como aliado
Se no cotidiano o hiperfoco pode ser um desafio, nos estudos tornou-se um aliado. Fã declarado de Senhor dos Anéis, Rodrigo utilizava trilhas sonoras dos filmes para criar uma atmosfera lúdica durante a preparação. A mesma concentração intensa foi canalizada para o Direito do Trabalho, sua disciplina preferida.
“Ao estudar com essas trilhas, parecia que estava ao lado de Gandalf. Transformar o estudo em algo prazeroso fez toda a diferença”, conta.
A experiência da advocacia e a transição para Juiz
Com 16 anos de prática na advocacia, Rodrigo já estava acostumado à rapidez de raciocínio exigida em audiências. Essa vivência o diferenciou nas provas práticas e orais do concurso. “A experiência cotidiana me deu agilidade não só no pensar, mas também no escrever. Foi fundamental para a aprovação”, avalia.
A transição para a magistratura trouxe novos aprendizados. “O advogado tem o poder de pedir, o Juiz o de decidir. É preciso lidar com o peso da caneta, que impacta diretamente a vida das pessoas, e fundamentar cada decisão com robustez técnica”, reflete.
Rotina no TRT e gestão de energia
Hoje, como Juiz no TRT, Rodrigo conduz cerca de 40 audiências por semana. Para lidar com a intensidade, ele criou uma rotina de “microdescansos” ao longo do dia, que ajudam a manter o equilíbrio. “A audiência é uma interação estruturada, o que dá mais previsibilidade. Com pequenas pausas, consigo preservar a energia necessária”, explica.
Além disso, Rodrigo mantém sua rede de apoio com colegas de magistratura, o que garante atualização constante sobre legislação e jurisprudência.




Compromisso com a inclusão
Rodrigo planeja unir sua experiência pessoal e profissional em projetos futuros. Entre suas metas está a criação de cursos em escolas judiciais sobre a interseção entre TEA e o Direito das Pessoas com Deficiência (PCD). “O objetivo é aprimorar a prestação jurisdicional em casos que envolvem inclusão, oferecendo capacitação técnica e sensibilidade social”, adianta.
Família como base
O suporte da família foi essencial. O abraço diário do filho às 15h e o apoio constante da esposa funcionam como recarga emocional. “Esses momentos me lembram por que todo o esforço vale a pena”, destaca.
Inspiração para outros concurseiros
Rodrigo reforça que a jornada dos concursos exige mais que disciplina: demanda autoconhecimento e cuidado com a saúde mental. Para candidatos atípicos, seu conselho é preservar hiperfocos e hobbies como válvulas de escape.
“O concurso é um caminho árduo, mas possível. Com esforço, perseverança e propósito, a aprovação chega. É apenas questão de tempo”, conclui.
