Conciliar uma rotina de estudos para a magistratura com o cuidado de dois bebês parece impossível para muita gente. Mas para Tatiane Oliver, 40 anos, natural de São Paulo (SP), mãe de gêmeos e ex-servidora do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ SP), o impossível virou realidade ao conquistar sua posse em julho de 2024.
Durante a pandemia, enquanto aprendia a lidar com a maternidade e o trabalho remoto, ela decidiu que não abriria mão do sonho de se tornar juíza do trabalho, e hoje celebra a conquista de uma aprovação que representa não apenas uma vitória pessoal, mas também um símbolo de força para tantas mães concurseiras.
“A maternidade chegou pra mim em dose dupla, e sem babá. Eu trabalhava no TJ SP e estudava à noite, depois que os bebês dormiam. Foi uma fase de muito cansaço, mas também de muito propósito”, conta Tatiane.
O desejo de seguir a carreira na magistratura surgiu aos poucos. Tatiane conta que, no início, sonhava em ser diplomata, mas depois de anos atuando como advogada trabalhista encontrou seu verdadeiro propósito. Desde 2015, passou a direcionar os estudos para a magistratura do trabalho.

Preparação, desafios e rotina de estudos
Sem babá, Tatiane conciliava o trabalho como assistente de juiz no TJ SP com a amamentação e a retomada dos estudos. Nos primeiros meses, usava o iPad para ler jurisprudência enquanto cuidava dos bebês, recuperando aos poucos o ritmo que já vinha antes da gravidez. A maternidade, que chegou em plena pandemia, exigiu dela um novo olhar sobre tempo, prioridade e disciplina.
Com o retorno ao trabalho após a licença-maternidade, a organização passou a ser indispensável. Em regime de teletrabalho, ela se dividia entre o expediente e os cuidados com as crianças, contando com o apoio da mãe, da sogra e de uma diarista que a ajudava duas vezes por semana. À noite, por volta das 19h, quando o marido chegava e assumia a rotina do sono dos gêmeos, começava sua segunda jornada: estudava até 22h ou 23h, mantendo constância mesmo nos dias mais cansativos.
Aos fins de semana, Tatiane reservava cerca de três horas para a segunda fase e o treino de sentenças, adaptando-se ao tempo disponível. Quando os filhos completaram um ano e passaram a frequentar a creche em período integral, o ritmo ficou mais estruturado. Ela deixava os bebês às 7h30, fazia treino funcional até as 9h e, em seguida, iniciava o expediente remoto no TJ SP, que se estendia até as 18h.
Mesmo com a agenda apertada, Tatiane fazia questão de preservar alguns momentos de lazer. Saía para jantar, encontrava amigos e viajava, sempre levando o material de estudos na mala para aproveitar os intervalos livres. “Eu estudava todos os dias, mesmo cansada. Se tivesse apenas meia hora, era meia hora bem aproveitada”, resume.

Rede de apoio e o Magistrar
O suporte do marido, da mãe, da sogra e da diarista foi essencial para que ela conseguisse equilibrar o trabalho, os estudos e a maternidade sem abrir mão do sonho. Mesmo com o cansaço acumulado, Tatiane nunca cogitou desistir. A magistrada afirma que a força para continuar vinha justamente dos filhos, que se tornaram o combustível da sua jornada, e do equilíbrio emocional também foi sustentado pela fé.
Foi nesse contexto de luta e esperança que o Magistrar entrou em sua trajetória. Tatiane conheceu o curso por meio dos vídeos gratuitos do professor Alexandre Piovesan, no YouTube do Magistrar. Na época, a realidade financeira não permitia grandes investimentos, mas a qualidade do conteúdo foi determinante para que ela seguisse confiante.
Mais tarde, adquiriu o material para a segunda fase e passou a ter acompanhamento direto com o professor na preparação para a prova oral. O apoio técnico e humano fez toda a diferença. O acompanhamento do professor Alexandre foi, segundo ela, o impulso final para alcançar o resultado tão sonhado:
“O professor Alexandre me acompanhou desde o início até as 24 horas da prova oral, sempre com conteúdo impecável e me trazendo a segurança que eu precisava.”, comenta.

A vitória e mensagem para outras mães
Durante a preparação, ouviu que seria difícil ser aprovada sem conseguir treinar uma sentença por cinco horas seguidas, como recomendavam os colegas. Dividia o tempo entre o trabalho, a casa e os filhos, estudando em blocos menores, sempre que possível. A estratégia funcionou. Hoje, ela olha para trás com gratidão, principalmente pelo exemplo que deixou dentro de casa:
“Um dia, meu marido filmou nossa filha com uma folha sulfite dizendo: ‘Estou estudando igual a mamãe pra ser juíza’. Foi ali que entendi que o exemplo é o maior legado que posso deixar para os meus filhos.”, conta.
Para Tatiane, a maternidade não foi um obstáculo, mas uma escola de força e resiliência. Ela finaliza lembrando que ninguém vence um concurso desse porte sozinha: rede de apoio, fé e propósito foram o tripé que sustentou sua caminhada, e que hoje a faz inspirar tantas outras mães que sonham em conquistar o mesmo.
“Criar filhos exige dedicação e nos ensina a valorizar cada minuto. Mesmo que o tempo seja curto, se ele for bem aproveitado, é o suficiente para passar. Peça ajuda, compartilhe suas dores e não desista antes de acontecer. Tem alguém que se inspira em você.”, finaliza a juíza.
