A política do Concurso Nacional Unificado (CNU) deve ser mantida caso o presidente Lula seja reeleito para um quarto mandato. A afirmação é da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, em entrevista concedida ao portal JOTA.
Segundo a ministra, a previsão é discutir formalmente o assunto durante a elaboração do Orçamento de 2027, com execução a partir de 2028. O governo já realizou duas edições do chamado “Enem dos Concursos”, que reúne em uma única estrutura vagas para diversos órgãos federais. A segunda edição, no ano passado, ofertou 3.652 vagas para 32 órgãos.
Reestruturação de carreiras e progressão mais longa
Dweck destacou que uma das principais entregas da gestão foi a reestruturação das carreiras do funcionalismo federal. O percentual de carreiras com 20 níveis de progressão saltou de 36% para mais de 80%. Na prática, quem entra hoje no serviço público federal leva mais tempo para atingir o topo da remuneração, uma mudança feita por negociação direta com cada categoria, sem necessidade de aprovação no Congresso.
“A gente conseguiu passar de 36% das carreiras com 20 níveis para mais de 80%”, afirmou a ministra ao JOTA.
Desafio do déficit de servidores
A entrevista também revelou um dado preocupante para quem acompanha concursos: entre 2016 e 2022, excluindo universidades e institutos federais, o governo federal perdeu cerca de 70 mil servidores líquidos, mais de 10% da força de trabalho. No atual governo, foram contratados aproximadamente 20 mil novos servidores, mas 17 mil saíram, resultando em um ganho líquido de apenas 3 mil pessoas.
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Carreiras transversais: nova tendência para concursos
Outro ponto relevante é a expansão das carreiras transversais, que passaram de duas para oito. O modelo permite que servidores sejam alocados em diferentes órgãos conforme a necessidade da administração, sem ficar presos a uma única instituição por toda a carreira.
Dweck citou como exemplo a carreira de analista técnico-administrativo, para a qual o governo realizou concurso com mil vagas e deve convocar cerca de 1.500 pessoas ao todo. A lógica é evitar o uso de profissionais altamente especializados (e mais caros) para tarefas administrativas simples, além de oferecer ao servidor maior mobilidade e novas perspectivas ao longo da carreira.
“Esse modelo também melhora a vida do servidor. Antes, muitas pessoas ficavam presas a um único órgão durante toda a carreira, mesmo quando não havia mais demanda para suas atividades”, explicou a ministra ao JOTA.
Perspectivas para concurseiros
Com a sinalização de manutenção do CNU e a contínua necessidade de recomposição do quadro de pessoal, os próximos anos devem seguir promissores para quem se prepara para carreiras federais. A adoção de progressões mais longas, por outro lado, indica uma mudança estrutural: o servidor que ingressar agora levará mais tempo para chegar ao topo da carreira, o que exige planejamento de longo prazo.
A ministra ressaltou ainda que, mesmo com concursos e reajustes, a despesa com pessoal do Executivo deve permanecer estável como proporção do PIB, entre os níveis mais baixos desde a Lei de Responsabilidade Fiscal.
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