A caminhada nos concursos públicos costuma ser marcada por desafios, renúncias e persistência. A história da advogada Thaynara Chaquira Pinheiro Ferreira, de 30 anos, é um retrato fiel dessa realidade.
Após anos de dedicação, ela conquistou recentemente duas importantes vitórias: a aprovação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM) e a aprovação para o cargo de Analista Judiciário – Área Judiciária (AJAJ) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (Concurso TJMS), onde se prepara para tomar posse.
Além disso, também foi aprovada na primeira fase do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Mas o caminho até aqui esteve longe de ser fácil.
O sonho começou ainda na faculdade
Formada em Direito em 2019, Thaynara sempre sentiu uma admiração especial pelo Ministério Público. Durante a graduação, acompanhava audiências e se encantava com a atuação dos membros da instituição.
Antes de ingressar definitivamente no universo dos concursos, dedicou-se à aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os estudos começaram no fim de 2020, em plena pandemia, e renderam frutos em 2021, quando conquistou a aprovação.
“Desde a faculdade eu tinha o sonho de ser membro do Ministério Público. Assistia às audiências e meus olhos brilhavam vendo a atuação da instituição”, relembra.
O início da jornada nos concursos
Em 2022, ao lado de um amigo também concurseiro, decidiu iniciar a preparação de forma mais intensa para concursos jurídicos.
Como acontece com muitos candidatos, os primeiros contatos com as provas revelaram uma realidade diferente daquela vivenciada na graduação.

A primeira experiência foi justamente em um concurso do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Apesar de ter alcançado um resultado considerado positivo para uma estreia, percebeu o tamanho do desafio.
“Quando fiz minha primeira prova, pensei: ‘Eu realmente não sei nada’. O que eu sabia era só a ponta do iceberg.”
A partir dali, vieram anos de estudo, aperfeiçoamento e muitas renúncias em busca da aprovação.
Obstáculos inesperados pelo caminho
A trajetória também foi marcada por momentos difíceis. Em 2024, Thaynara precisou interromper os estudos por cerca de seis meses devido a questões pessoais.
Mas o caminho ainda reservava um golpe duro. Em dezembro de 2025, ela viajou para o Paraná para fazer uma prova. No dia em que chegou, o filho sofreu um acidente.
“Eu dormi apenas quatro horas esperando a cirurgia do meu filho. E não consegui ter um desenvolvimento muito bom na prova”, relata, com a voz embargada. “A gente faz planos, mas a vida acontece”.
O episódio abalou emocionalmente a candidata, mas não foi suficiente para fazê-la desistir.
A virada de chave
Pouco depois, Thaynara realizou a prova do TJMS sem grandes expectativas. O foco principal dos estudos estava voltado para outro certame.
Ainda assim, decidiu confiar em toda a bagagem construída ao longo dos anos.
“Eu pensei: vou com o conhecimento que construí até aqui. E deu certo.”
A aprovação no TJMS foi a primeira de uma sequência que transformaria completamente seu ano. Na virada de 2025 para 2026, Thaynara fez uma promessa a si mesma: “Eu falei pra Deus que em 2026 eu só aceitaria viver se fosse o extraordinário”.
E o extraordinário começou a se materializar. No final de janeiro, veio a aprovação no TJMS. Depois, no Ministério Público de Goiás (MP GO), ela reprovou por apenas duas questões. Em Santa Catarina, ficou por pouco também, após oito anulações que elevaram a nota de corte.
O apoio do Magistrar e a aprovação no ENAM
Foi nesse ritmo que Thaynara decidiu se inscrever para o ENAM, o exame obrigatório para quem deseja concorrer à magistratura. “Quanto mais prova você faz, mais você adquire conhecimento jurídico, tempo de prova e desempenho”, explica.
Ela adquiriu o curso do Magistrar, focando em disciplinas que não estavam na grade do Ministério Público. “A aula de revisão entregou muito conteúdo, mas conteúdo que é questão de prova. Inclusive humanística, que eu sou péssima, e direitos humanos, que pega pesado no concurso da magistratura. O Magistrar praticamente entregou todas as questões”, elogia.
Com essa preparação, Thaynara foi aprovada no seu segundo ENAM acertando 62 questões, já que no primeiro não havia estudado de forma direcionada.

Três aprovações: a confirmação de um ano extraordinário
Em meio a esse turbilhão de provas: MPMS, ENAM e outras, Thaynara já estava aprovada na primeira fase do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (Concurso MPMS), mas não sabia.
“Está uma loucura no mundo dos concursos, a nota de corte. Mas eu já tinha no meu coração que meu nome estava na lista”, afirma. Quando o resultado saiu, no último dia 12 de junho, foi “só uma confirmação”.
O saldo de 2026, até agora, é surpreendente: três reprovações seguidas, seguidas de três aprovações. “Bem nessa semana em que fui fazer a prova do MP e do ENAM, eu tirei um versículo que falava de dupla honra”, revela. “Tive três reprovações e três aprovações seguidas. Pra mim, isso é a dupla honra”.
Uma mensagem para quem continua na caminhada
Ao olhar para trás, Thaynara enxerga que cada obstáculo teve um propósito dentro da sua trajetória.
Sua história reforça uma das principais lições do universo dos concursos: a aprovação raramente acontece de forma linear. Reprovações, pausas inesperadas e dificuldades pessoais fazem parte do processo.
Mas a persistência pode transformar derrotas temporárias em conquistas duradouras.
“Eu decidi que daria o meu melhor e que não desistiria. Hoje vejo que todo o caminho valeu a pena.”
Enquanto se prepara para os próximos desafios e para a tão aguardada segunda fase dos concursos de magistratura, Thaynara celebra um momento que representa muito mais do que aprovações: a confirmação de que a constância e a dedicação continuam sendo algumas das ferramentas mais poderosas na vida de um concurseiro.


