A aprovação no ENAM 2026.1 marcou uma virada na trajetória de Cristine Helena Cunha, 37 anos, Analista Judiciária – Área Judiciária (AJAJ) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e assessora de ministro. Com uma carreira construída na Justiça do Trabalho e anos de preparação para concursos, ela precisou superar um dos maiores desafios de sua trajetória: as provas objetivas.
Cristine foi aprovada no ENAM 2026.1 com 66 acertos, dez questões acima dos 56 necessários para a habilitação. O resultado ganhou um significado ainda maior porque, durante anos, a candidata considerou a primeira fase objetiva seu principal ponto fraco.
A preparação para o exame contou com o Magistrar, incluindo leitura diária de legislação, simulados, resolução de questões e aulões de revisão.
Da faculdade à Justiça do Trabalho
A escolha pela área trabalhista começou ainda durante a graduação em Direito. Cristine cursava a faculdade em uma universidade federal de Santa Catarina quando participou de um intercâmbio acadêmico na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Foi durante esse período que teve contato com um professor de Direito do Trabalho que despertou seu interesse pela área.
“Naquele momento eu decidi que eu seguiria na carreira trabalhista.”
No fim da faculdade, Cristine decidiu buscar um estágio na área para entender qual carreira gostaria de seguir. Prestou o processo seletivo do Ministério Público do Trabalho (MPT), foi aprovada e passou a atuar na instituição.
A experiência confirmou sua identificação com o Direito do Trabalho e despertou, inicialmente, o sonho de seguir carreira no MPT.
Como não pretendia advogar, Cristine decidiu prestar concursos para tribunais como forma de adquirir a prática jurídica necessária para, posteriormente, disputar concursos de carreira jurídica.

Ela se formou em março de 2012 e começou a estudar para o cargo de Analista Judiciário dos Tribunais Regionais do Trabalho.
Eu fiz a prova do Ministério Público do Trabalho de estágio e passei e comecei a trabalhar no MPT e me apaixonei e decidi que eu queria isso, mas eu precisava fazer a prática jurídica, não pretendia advogar, então decidi que eu estudaria para concurso de tribunal para fazer a prática.
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Primeira aprovação veio seis meses após a formatura
O primeiro concurso foi justamente para o TST. Cristine conseguiu a aprovação apenas seis meses depois de começar a estudar.
Mas a trajetória não seria tão simples quanto ela imaginava.
A candidata percebeu que tinha dificuldades nas provas objetivas. No concurso do TST, uma boa nota na redação ajudou a melhorar sua classificação, compensando o desempenho mais modesto na objetiva.
Nos concursos seguintes para TRTs, entretanto, Cristine não conseguia sequer ter a prova discursiva corrigida porque não alcançava a nota necessária na primeira fase.
“Eu sempre fui muito dolorida” na objetiva, relembra.
Enquanto aguardava a nomeação no TST, Cristine recebeu a oportunidade de retornar ao Ministério Público do Trabalho, desta vez como assessora extraquadro. A experiência aumentou ainda mais sua identificação com a carreira.
Nomeação no TRT-2 e, depois, no TST
Após cerca de dois anos de estudos, Cristine decidiu fazer mais um concurso, o do TRT de São Paulo.
Mais uma vez, a candidata teve desempenho superior na prova discursiva e conseguiu subir várias posições na classificação.
A aprovação resultou na nomeação para o TRT da 2ª Região, onde atuou por dois anos como Analista Judiciária em gabinete de desembargador.
Em 2016, quatro anos depois de sua aprovação, veio finalmente a nomeação para o TST.
Cristine completa dez anos no tribunal em 2026. Desde o início, trabalha em gabinete de ministro e, em menos de três anos no TST, tornou-se assessora.
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O sonho inicial era o MPT
Mesmo já consolidada profissionalmente no TST, Cristine continuou estudando para concursos de carreira jurídica, principalmente para o Ministério Público do Trabalho.
Em 2017, fez a prova do MPT, mas não alcançou o mínimo na primeira fase.
Pouco depois, também prestou o primeiro concurso nacional da magistratura, mas sem uma preparação específica. Ficou a poucos pontos da aprovação na primeira fase.
O trabalho, porém, começou a ocupar cada vez mais espaço em sua rotina. Em 2019, já havia se tornado assessora de ministro, e Cristine acabou deixando os estudos em segundo plano.
Em 2020, fez novamente a prova do MPT, mas sem preparação suficiente. Depois disso, decidiu interromper os estudos.
Ela estava satisfeita com a carreira, com o trabalho e com a vida em Brasília e acreditava que não voltaria a estudar para concursos.
O retorno aos estudos veio depois de um período de afastamento
Com o passar dos anos, Cristine voltou a conviver com pessoas que estudavam para concursos. Ela percebeu que continuava interessada nas discussões, nas questões e nos conteúdos jurídicos.
“Eu queria participar. Eu queria fazer”, conta.
Foi então que começou a considerar a possibilidade de voltar a estudar.
Durante o mestrado, a convivência com colegas que já eram magistrados também teve influência nessa decisão. Um deles costumava dizer que era um desperdício Cristine não tentar a magistratura.
A ideia começou a amadurecer.
Ao mesmo tempo, Cristine tinha um objetivo antigo: o MPT. Por isso, decidiu inicialmente retomar os estudos pensando nessa carreira.
Uma reprovação no MPT mudou os planos
Cristine estabeleceu para si mesma uma meta: faria dois concursos e não desistiria antes disso. A ideia era aproveitar o período entre concursos para construir uma preparação mais consistente.
Ela intensificou os estudos para o MPT e passou a se preparar simultaneamente para diferentes fases.
O desempenho nos simulados e nas provas discursivas aumentou sua confiança. Quando fez a primeira fase do MPT, porém, ficou em uma faixa de pontuação que não permitia saber com segurança se seria aprovada.
Mesmo assim, sua mãe a incentivou a comprar o curso para a segunda fase.
“Eu acredito, vai dar.”
Cristine acabou não sendo aprovada na primeira fase.
A reprovação foi especialmente dolorosa porque ela acreditava que conseguiria avançar. Precisou interromper os estudos por cerca de três meses e retomou o acompanhamento terapêutico.
Mas aquele momento também abriu uma nova possibilidade.
A ministra com quem Cristine trabalha a incentivou a considerar a magistratura. Segundo a chefe, a experiência adquirida no gabinete e as atividades desempenhadas por Cristine tinham muita proximidade com a carreira.
Inicialmente, ela resistiu à ideia.
Seu objetivo continuava sendo o MPT.
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ENAM entra no caminho da aprovação
Após a reprovação no MPT, Cristine decidiu fazer o ENAM como uma forma de treinar para provas objetivas.
Na segunda edição do exame, estudou muito pouco e fez apenas uma preparação de véspera. Não conseguiu a aprovação, mas ficou próxima da nota necessária.
No ENAM seguinte, não participou porque estava viajando.
Na edição seguinte, voltou a fazer a prova, mas novamente sem uma preparação suficientemente direcionada. O resultado também ficou abaixo do necessário.
Foi então que um amigo, que havia passado para a magistratura e conhecia sua rotina, fez uma sugestão que mudaria sua preparação.
Ele a incentivou a parar e estudar especificamente para o ENAM.
A ideia era simples: primeiro conquistar a habilitação e, depois, decidir se realmente queria seguir para a magistratura.
Cristine aceitou o desafio.
Magistrar foi decisivo na preparação para o ENAM 2026.1
Para a edição do ENAM 2026.1, Cristine decidiu que faria uma preparação diferente.
Dessa vez, comprou um curso, passou a fazer simulados com frequência, resolveu questões e incorporou a leitura diária de lei seca à rotina.
Foi quando entrou o Magistrar em sua preparação.
A candidata conta que acordava todos os dias às 7h para fazer a leitura diária de lei. Além disso, acompanhou os aulões de sábado, intensificou a resolução de questões, realizou simulados e assistiu às revisões mais próximas da prova.
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O aulão de véspera também foi destacado por Cristine como parte importante da preparação. A mudança de postura fez diferença.
Dessa vez, ela chegou ao exame com a sensação de ter feito tudo o que estava ao seu alcance.
“Não sabia se eu ia passar, mas com certeza que eu fiz tudo que eu poderia fazer.”
66 acertos: a superação da prova objetiva
O resultado confirmou a evolução.
Cristine conquistou 66 acertos no ENAM 2026.1, enquanto eram necessárias 56 questões para a habilitação.
Foram dez acertos acima do mínimo exigido.
Para uma candidata que durante anos considerou as provas objetivas seu principal obstáculo, o resultado teve um significado especial.
“Para mim que sempre sofria, apanhei muito em prova objetiva, foi maravilhoso. Me deu uma outra perspectiva, me mostrou que eu posso conseguir.”
Cristine também destaca a importância do método utilizado na preparação.
Segundo ela, o curso do Magistrar foi importante não apenas pelas aulas, mas também pela combinação entre leitura de legislação, questões, simulados e aulões de revisão.

Do sonho de MPT à possibilidade de ser magistrada
A aprovação no ENAM também provocou uma mudança na forma como Cristine enxerga sua própria trajetória profissional.
O MPT continua sendo uma carreira que admira, mas ela reconhece que seu perfil e suas experiências profissionais podem ter maior conexão com a magistratura.
O sonho de ser procuradora do Trabalho nasceu quando ainda era estagiária e tinha 22 anos. Desde então, porém, ela amadureceu profissionalmente e pessoalmente.
Hoje, aos 37 anos, acredita que pode ter encontrado na magistratura um caminho que combina mais com o momento atual de sua vida.
“O MPT é um sonho que foi um sonho de estagiária, de assessora, de quando eu tinha 22 anos. Mas, com todo o processo de amadurecimento, embora eu ainda ache o MPT uma carreira linda, acho que hoje eu tenho uma serenidade que combinaria com a magistratura.”
A aprovação no ENAM, portanto, não representa apenas a conquista de uma habilitação. Para Cristine, é também a prova de que uma dificuldade que durante anos parecia determinante — a prova objetiva — poderia ser superada com método, disciplina e preparação direcionada.
Cristine segue estudando para a magistratura
Mesmo sem uma previsão definida para o próximo concurso de seu interesse, Cristine afirma que continua estudando.
A ideia é aproveitar a habilitação no ENAM e avançar na preparação para as demais etapas dos concursos da magistratura.
Ela também mantém uma promessa pessoal: faria pelo menos dois concursos depois de retomar os estudos. Agora, com a aprovação no ENAM, sabe que as próximas fases serão determinantes.
A trajetória de Cristine mostra que aprovação não depende apenas de uma preparação linear. Há períodos de pausa, mudanças de objetivo, reprovações e recomeços.
No caso dela, foram anos de carreira no Judiciário, uma longa relação com a Justiça do Trabalho, o sonho inicial de ser procuradora do Trabalho e sucessivas dificuldades nas provas objetivas.
Até que, no ENAM 2026.1, a história começou a mudar.
66 acertos depois, Cristine provou a si mesma que era capaz.


