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Projeto de lei limita anuidade da OAB a R$ 250; proposta tramita na Câmara

PL 2188/2026 prevê teto para a anuidade da OAB e também estabelece limites para contribuições cobradas por outros conselhos profissionais

Um novo projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê mudanças nas regras de cobrança das anuidades da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O Projeto de Lei 2188/2026 estabelece o valor máximo de R$ 250 para a anuidade de profissionais de nível superior, incluindo os advogados.

A proposta também cria limites para as anuidades cobradas pelos demais conselhos profissionais e estabelece valores diferenciados para profissionais de nível técnico e empresas.

O texto é de autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) e altera o Estatuto da Advocacia, instituído pela Lei 8.906/1994, além da Lei 12.514/2011, que trata das contribuições devidas aos conselhos profissionais.

Projeto limita anuidade da OAB a R$ 250

O PL 2188/2026 estabelece que a anuidade cobrada pela OAB dos profissionais de nível superior não poderá ultrapassar R$ 250.

Para profissionais de nível técnico, o teto previsto é de R$ 125. Já para pessoas jurídicas, os valores máximos variam de acordo com o capital social, podendo chegar a R$ 2 mil.

A proposta também determina que os valores poderão ser atualizados anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Caso seja aprovado e posteriormente convertido em lei, o novo limite passará a integrar as regras legais que disciplinam a cobrança das anuidades.

Como funciona atualmente a cobrança da OAB?

Atualmente, o Estatuto da Advocacia não estabelece um valor máximo para a anuidade que pode ser cobrada pela OAB. O artigo 46 da Lei 8.906/1994 atribui à Ordem a competência para fixar e cobrar de seus inscritos contribuições, preços de serviços e multas.

A situação é diferente da prevista na Lei 12.514/2011 para os demais conselhos profissionais.

A legislação estabeleceu originalmente o limite de R$ 500 para profissionais de nível superior e R$ 250 para profissionais de nível técnico, com possibilidade de atualização pelo INPC. Segundo os valores apresentados na justificativa do projeto, a correção até julho de 2026 levaria esses limites a R$ 1.135,61 e R$ 567,81, respectivamente.

STF decidiu em 2026 que limite dos conselhos não se aplica à OAB

A discussão sobre o teto das anuidades ganhou novo capítulo em 2026. Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o limite previsto no artigo 6º da Lei 12.514/2011 não se aplica à OAB.

O entendimento foi firmado no julgamento do Tema 1.180 da repercussão geral, relacionado ao ARE 1.336.047. Por unanimidade, o STF estabeleceu que a fixação e a cobrança das contribuições anuais dos advogados são regidas especificamente pelo Estatuto da OAB.

Segundo a tese fixada pelo Supremo, a OAB possui finalidade institucional que vai além da fiscalização da atividade profissional, razão pela qual a Ordem não está submetida ao mesmo regime dos demais conselhos profissionais nesse aspecto.

Com isso, a aprovação do PL 2188/2026 poderia alterar diretamente o cenário estabelecido pelo STF, caso o Congresso Nacional aprove uma nova regra legal específica para a OAB.

Justificativa do projeto cita diferenças nos valores

Na justificativa do PL 2188/2026, o deputado Kim Kataguiri argumenta que a ausência de um teto específico para a OAB permitiu a cobrança de anuidades superiores aos limites aplicados aos demais conselhos profissionais.

O parlamentar defende que a redução e a limitação das contribuições cobradas dos profissionais podem diminuir o impacto financeiro dessas obrigações.

A justificativa também menciona o entendimento do STF sobre a autonomia e a independência da OAB e a possibilidade de as seccionais estabelecerem valores próprios de anuidade.

O que muda para os demais conselhos profissionais?

O projeto não trata apenas da OAB. Se aprovado, o PL 2188/2026 também estabelecerá novos limites para as anuidades dos demais conselhos profissionais.

Os valores previstos são:

CategoriaTeto previsto pelo projeto
Profissionais de nível superiorR$ 250
Profissionais de nível técnicoR$ 125
EmpresasDe R$ 250 a R$ 2.000

Os limites poderão ser corrigidos anualmente pelo INPC, conforme as regras previstas no texto.

Próximos passos do PL 2188/2026

O projeto tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo. A proposta será analisada pelas comissões de Trabalho; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Como a matéria tramita em caráter conclusivo, a análise poderá ocorrer diretamente nas comissões, conforme as regras regimentais. Caso seja aprovado pela Câmara e não haja recurso para votação pelo Plenário, o texto seguirá para o Senado Federal.

Para entrar em vigor, o projeto ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional e passar pelas demais etapas do processo legislativo, incluindo a sanção presidencial.

Importante: enquanto o PL 2188/2026 não for aprovado e convertido em lei, a proposta não altera os valores atualmente cobrados pela OAB.

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