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“Tomei o estudo para concurso como uma profissão”: aprovada no ENAM com 66 acertos revela rotina de disciplina

Disciplina, estratégia e autoconhecimento: a trajetória de Michele Dominato, que voltou a estudar após 18 anos e conquistou a aprovação no ENAM

Quando Michele Mariano Dominato Silva decidiu, há 2 anos e 3 meses, que voltaria a estudar para a magistratura, a realidade era assustadora.

Formada há 18 anos, ela se via diante de um abismo: o Código de Processo Civil já não era o mesmo, a Lei de Improbidade e a de Licitações haviam mudado drasticamente, e a memória sobre os institutos básicos estava turva. “Não tinha a mínima noção. Muita coisa tinha esquecido”, admite.

Mas, em vez de se paralisar pelo medo, Michele tomou uma decisão que mudou os rumos da sua jornada: encarar o estudo como um trabalho de tempo integral. O resultado dessa escolha veio agora, com a aprovação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM) e a expressiva marca de 66 questões corretas.

A trajetória, no entanto, não foi um passeio, foi construída tijolo por tijolo, com método, paciência e, acima de tudo, autoconhecimento.

O estudo como rotina

A frase que dá título a esta reportagem não é um mero bordão motivacional. Ela traduziu a rotina radical de Michele.

“Tomei o estudo para concurso como uma profissão, com horário de entrada, pausas e término”, conta.

No início, eram 4 horas líquidas por dia, mas, gradativamente, ela aumentou a carga horária, sempre respeitando os sinais do próprio corpo.

A profissionalização do estudo passou, necessariamente, pelo planejamento. Todo sábado era sagrado: dia de simulado. O objetivo não era apenas testar conhecimentos, mas “entender onde estava com maior dificuldade e ajustar meu cronograma”, explica.

Essa leitura crítica do próprio desempenho permitiu que ela corrigisse a rota constantemente, transformando os erros em degraus de evolução.

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Preenchendo as lacunas com ferramentas certeiras

Com mais de uma década de defasagem, Michele precisava de um norte seguro para não se perder no emaranhado legislativo. Foi aí que entrou o papel do Magistrar. A leitura da lei seca, muitas vezes maçante para concurseiros, tornou-se um ritual organizado.

“Criei um diário com tudo o que precisava ler e entender, baseado no mapa da lei seca do Magistrar”, revela. Esse diário funcionou como uma bússola, garantindo que nenhum ponto relevante fosse esquecido.

E, para você que também vê a Lei Seca como um obstáculo, o Magistrar criou a Comunidade de Lei Seca no WhatsApp, um espaço estruturado para transformar a leitura da legislação em um hábito diário de estudo.

Entrar na Comunidade Lei Seca

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Outro calcanhar de Aquiles superado foi a jurisprudência. “Sempre na prova esquecia se era constitucional ou não”, recorda. Para vencer essa barreira, os simulados de jurisprudência foram essenciais, dando a ela a base e o incentivo necessários para transformar uma deficiência em ponto forte.

A evolução que a prova não esconde

Para quem desanima com as primeiras reprovações, a trajetória de Michele é um verdadeiro manual de persistência. Suas notas nos quatro ENAMs anteriores contam uma história de superação gradual:

  • 37 acertos (1º ENAM)
  • 42 acertos (2º ENAM)
  • 49 acertos (3º ENAM)
  • 53 acertos (4º ENAM)

“Por mais que não tivesse passado, senti que evoluía e não deixei de estudar durante esse tempo”, afirma. Foi essa percepção de crescimento contínuo que a manteve firme até chegar aos 66 acertos no quinto exame.

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O “segredo” que vale para ela

Se a disciplina era o motor, o equilíbrio era o combustível. Michele destaca que a preparação mental e física foi tão importante quanto a carga horária de estudos. “Terapia em dia, dormir bem, se alimentar bem, não pular refeições, exercícios”, elenca como itens inegociáveis.

Curiosamente, ela encontrou na caminhada a atividade física ideal. “Me ajudava a acalmar a mente e manter o corpo ativo. Academia me estressava a música”, confessa, mostrando que a atividade física precisa encaixar no perfil de cada um.

Mas sua orientação máxima vai além das dicas tradicionais. Ela entrega o ouro:

“Faça o que vale pra você. Se conheça. Fiz isso e mudei a forma como apliquei as dicas no meu estudo. Porque muita coisa não funciona pra mim e adaptei.”

Essa frase sintetiza o verdadeiro autoconhecimento que a levou ao topo.

Foco total na magistratura estadual

A aprovação no ENAM foi um passo gigante, mas a meta final segue firme: a Magistratura Estadual. Por enquanto, porém, Michele permite-se um merecido descanso.

A rotina de disciplina constante (de segunda a sexta, 8 horas diárias de estudo, e 4 horas aos sábados) ficou reservada ao período que antecedeu a prova. Foi nessa reta final que ela estudou ininterruptamente por 65 dias, provando que a preparação de elite exige sacrifício.

Nessa fase, ferramentas como o Cérebro e as imersões de sábado do Magistrar foram fundamentais para manter o ritmo e a constância.

Agora, de olho no próximo edital da Magistratura Estadual, Michele sabe que, quando as férias terminarem, o método voltará com força total. Afinal, como ela mesma diz, enquanto o edital não abre, o estudo não para. Mas o descanso estratégico, esse ela aprendeu a respeitar.

A história de Michele serve como um farol para quem se sente velho, defasado ou desmotivado. Ela prova que a aprovação não exige superpoderes, mas sim a coragem de encarar o estudo e a sabedoria de adaptar o método à própria essência.

Sua jornada é a prova viva de que, com foco e autoconhecimento, é possível transformar um recomeço tardio no início de uma carreira brilhante na magistratura.

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