Aos 55 anos, Patrícia Merces dos Santos vive uma nova fase de sua trajetória profissional. Depois de mais de 35 anos dedicados ao jornalismo e 14 anos de advocacia, ela decidiu mudar os rumos da carreira e investir na preparação para concursos jurídicos.
Hoje, Patrícia já acumula importantes resultados: foi aprovada no concurso para servidores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), tomou posse no cargo de analista com especialidade em comissária da infância, juventude e do idoso e, paralelamente, segue na disputa por duas carreiras que estão entre seus principais objetivos: a Magistratura e a Defensoria Pública.
Aluna do Magistrar, Patrícia está na segunda fase do concurso TJMG Juiz e também avançou para a segunda fase do concurso DPERJ Defensor.
A trajetória até aqui, no entanto, foi marcada por desafios pessoais, profissionais e financeiros que tornaram cada aprovação ainda mais significativa.
Do jornalismo ao Direito
Patrícia conta que começou a trabalhar muito cedo. Aos 17 anos, ainda cursando a faculdade de Jornalismo, já fazia estágio na área.
Ao longo de mais de três décadas de carreira, passou por diferentes veículos de comunicação. Também trabalhou durante 18 anos como assessora de imprensa do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Rio de Janeiro.
Foi nesse período que conciliou o jornalismo com a advocacia, atividade que exerceu durante 14 anos.

A decisão de estudar para concursos surgiu em 2018. O projeto, entretanto, precisou ser interrompido durante a pandemia. Em 2024, Patrícia retomou os estudos com maior intensidade e, posteriormente, passou a direcionar sua preparação para as carreiras jurídicas.
“Comecei a estudar para concurso em 2018, mas aí veio a pandemia, eu parei. Voltei com força, mais comprometida em 2024”, relata.
Uma trajetória marcada por superação
A história de Patrícia é atravessada por dificuldades desde a infância.
Filha de um mestre de obras e de uma balconista, ela cresceu no interior, em uma família humilde. Aos 11 anos, perdeu a presença do pai, que deixou a família, e passou a enfrentar dificuldades financeiras ao lado da mãe.
Segundo Patrícia, houve períodos em que a mãe precisava fazer faxinas para garantir alimentação para as duas.
Mesmo diante das dificuldades, ela manteve o sonho de estudar e construir uma carreira. O jornalismo, profissão que desejava desde criança, foi o primeiro grande objetivo alcançado.
Mais tarde, veio a graduação em Direito e, posteriormente, a decisão de buscar uma carreira pública.
A preparação para concursos também ocorreu em meio a problemas de saúde e cirurgias. Patrícia passou por procedimentos na coluna, enfrentou períodos de fortes dores e chegou a ficar temporariamente sem conseguir andar.
Ainda assim, continuou estudando.
“Mesmo assim eu nunca desisti. Sempre continuei estudando, sempre continuei me esforçando”, afirma.
O encontro com o Magistrar
A entrada no Magistrar marcou uma nova etapa na preparação de Patrícia.
Ela conta que conheceu o curso após assistir a uma aula do professor Alexandre Piovesan, especialmente nas disciplinas relacionadas à Humanística e aos Direitos Humanos.
“Eu fui assistir a uma aula do professor Alexandre Piovesan. Eu acho ele fantástico, um professor fantástico em Humanística, Direitos Humanos. Eu gostei muito do curso”, conta.
A partir daí, Patrícia passou a intensificar a preparação e também conheceu uma das ferramentas que, segundo ela, mais contribuíram para mudar sua rotina de estudos: o Cérebro.
Cérebro ajudou na organização dos estudos
Patrícia reconhece que uma de suas principais dificuldades era organizar a rotina de preparação. Foi justamente nesse ponto que, segundo ela, o Cérebro passou a ter papel importante.
“Era exatamente o que eu precisava, porque eu sou desorganizada”, conta.
Para Patrícia, a ferramenta ajudou a estabelecer uma rotina mais consistente e a manter o compromisso diário com os estudos.
“O Cérebro me direciona, me força a estudar, ter mais compromisso. O que eu não consigo cumprir no dia de hoje do cronograma, ele joga para o dia seguinte. Ele me força a estudar.”
A mudança na organização, segundo ela, veio acompanhada de maior regularidade.
“Comecei a ter mais comprometimento com o estudo.”
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Aprovação no ENAM e avanço nas carreiras jurídicas
A preparação também trouxe resultados no Exame Nacional da Magistratura (ENAM).
Patrícia conta que participou da primeira edição do exame, quando conseguiu a aprovação após recurso, e posteriormente voltou a realizar a prova já como aluna do Magistrar.
Na segunda tentativa, alcançou a aprovação pela ampla concorrência.
“Eu passei com nota da ampla. Não passei nem como cotista. […] Já era aluna Magistrar há quase seis meses e me esforçando muito, estudando todos os dias.”
A rotina, segundo ela, é intensa. Patrícia afirma que estuda praticamente todos os dias da semana e que os momentos de descanso acontecem apenas quando o próprio corpo exige uma pausa.
Aprovação no TJRJ e posse aos 55 anos
Enquanto mantinha o foco na preparação para magistratura e Defensoria Pública, Patrícia também foi aprovada no concurso para servidores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Ela conquistou uma das primeiras colocações para o cargo escolhido e tomou posse em 20 de outubro de 2026.
A nova função é de analista com especialidade em comissária da infância, juventude e do idoso, área que integra a equipe técnica das varas da Infância e Juventude e do Idoso.

“Graças a Deus, passei entre os primeiros colocados e fui convocada agora em outubro. Tomei posse no dia 20 de outubro e já comecei a trabalhar.”
A aprovação representou uma mudança significativa: depois de décadas no jornalismo e anos de advocacia, Patrícia passou a integrar o serviço público.
“Deixei o jornalismo de vez depois de 35 anos e deixei para trás também 14 anos da advocacia para ser servidora pública do Tribunal de Justiça do Rio.”
Segunda fase TJMG Juiz e DPERJ Defensor
A posse no TJRJ, entretanto, não encerrou o projeto de Patrícia. Pelo contrário. Ela continua estudando para os concursos jurídicos e agora enfrenta uma etapa decisiva em duas seleções.
Patrícia está na segunda fase do concurso para Juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e também na segunda fase do concurso para Defensor Público do Estado do Rio de Janeiro (DPERJ).
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro é, segundo ela, seu principal sonho profissional.
“Meu sonho sempre foi ser defensora pública no Rio de Janeiro.”
Ao mesmo tempo, Patrícia mantém a possibilidade de seguir pela magistratura. “Eu ainda tenho o sonho de passar no concurso ou de juíza ou defensora pública.”
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“Eu não desisto dos meus sonhos”
Ao falar sobre sua trajetória, Patrícia resume sua personalidade em duas palavras: fé e perseverança.
“Se eu pudesse me definir em duas palavras, fé e perseverança. É o que eu tenho, é o que eu sinto dentro de mim. Muita fé em Deus e perseverança. Eu não desisto dos meus sonhos.”
Para ela, a idade não é um impedimento para continuar estudando e perseguindo uma nova carreira.
“Com a idade que eu estou e ainda estou estudando”, afirma, ao destacar que tem 55 anos e segue na preparação diária.
A orientação que adotou para enfrentar a preparação também envolve evitar comparações com outros candidatos.
“Eu não olho para os lados. Eu só olho para o alto, eu só olho para Deus e olho para frente.”
Reconhecimento ao Magistrar
Ao longo do depoimento, Patrícia também faz questão de reconhecer o apoio que recebeu de professores e pessoas que contribuíram para sua preparação.
Entre eles, destaca o professor Alexandre Piovesan, que, segundo ela, acreditou em seu potencial e ofereceu oportunidades para que pudesse continuar estudando.
“O professor Alexandre Piovesan acredita muito em mim. É uma pessoa que dá oportunidade para as pessoas que ele vê que são muito esforçadas.”
Patrícia também ressalta que recebeu bolsas e apoio de professores durante sua trajetória de preparação.
“Vários professores me ajudaram, ganhei bolsas. O professor Alexandre Piovesan mesmo fez uma promoção para mim para que eu tivesse a Mentoria.”
Para ela, o diferencial esteve justamente na possibilidade de encontrar apoio mesmo diante das dificuldades. A rotina de organização e acompanhamento proporcionada pela Mentoria contribuiu para que ela chegasse na segunda fase de dois concursos de destaque.

Uma nova carreira construída com perseverança
Aos 55 anos, Patrícia concilia o início de uma nova etapa no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro com a preparação para as fases seguintes dos concursos de juiz e defensor público.
A história, que começou com o sonho de ser jornalista aos quatro anos, passou pelo Direito, pela advocacia e agora chega a uma nova encruzilhada profissional.
Independentemente de qual carreira será o destino final, Patrícia já coleciona conquistas importantes: a aprovação no ENAM, a aprovação e posse no TJRJ e o avanço para a segunda fase de dois concursos jurídicos de alto nível.
E ela pretende continuar.
“Eu não desisto dos meus sonhos.”

