Por Dra. Camille Rebellato Sanches – Médica especialista em Nutrologia, Emagrecimento e Longevidade
Na reta final para uma prova importante, é comum ver candidatos recorrendo a litros de café, bebidas energéticas e diversos suplementos na tentativa de aumentar a concentração e prolongar as horas de estudo.
A busca por mais foco e produtividade faz parte da rotina de quem estuda para concursos públicos. Afinal, manter um bom rendimento ao longo de meses — ou até anos — de preparação é um dos maiores desafios da jornada.
A boa notícia é que alguns recursos realmente possuem respaldo científico quando utilizados da maneira correta.
A má notícia é que nenhum deles substitui hábitos fundamentais, como sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física e uma rotina organizada de estudos.
Mais do que isso: quando usados sem orientação, alguns produtos podem prejudicar justamente aquilo que prometem melhorar.
Afinal, existe algum suplemento capaz de aumentar o desempenho nos estudos?
Existe um “suplemento da aprovação”?
A resposta é simples: não.
Até o momento, nenhuma substância demonstrou ser capaz de aumentar significativamente a inteligência, a capacidade de aprendizagem ou a memória de pessoas saudáveis apenas pelo seu consumo.
Isso não significa que suplementos sejam inúteis.
Eles podem ser ferramentas importantes em situações específicas, desde que exista indicação adequada.

Segundo a Dra. Camille Rebellato Sanches:
“Quando falamos em desempenho cognitivo, o maior erro é procurar uma cápsula para resolver um problema causado por noites mal dormidas, alimentação inadequada ou excesso de estresse.”
Mentoria Magistrar 2027: preparação completa também passa pela saúde
A aprovação em concursos exige muito mais do que dominar o conteúdo programático. Manter o corpo e a mente em equilíbrio faz diferença na capacidade de concentração, na memória, na produtividade e na consistência dos estudos ao longo de toda a preparação.
Pensando nisso, a Mentoria Magistrar 2027 oferecerá um diferencial importante aos seus alunos: consultas com a Dra. Camille Rebellato Sanches, médica especialista em Nutrologia e Performance.
O acompanhamento médico permitirá uma avaliação individualizada para orientar hábitos relacionados à alimentação, sono, suplementação e desempenho, sempre de forma baseada em evidências científicas e nas necessidades de cada aluno.
A proposta da Mentoria Magistrar é proporcionar uma preparação completa, unindo planejamento pedagógico, acompanhamento especializado e cuidados com a saúde, para que o candidato desenvolva todo o seu potencial durante a jornada rumo à aprovação.

Café: um aliado quando consumido com moderação
O café é, provavelmente, o estimulante mais utilizado entre estudantes e concurseiros.
Seu principal componente, a cafeína, bloqueia receptores de adenosina — neurotransmissor relacionado à sensação de sono — aumentando temporariamente o estado de alerta e reduzindo a percepção de cansaço.
Esses efeitos são amplamente comprovados pela literatura científica.
No entanto, existe um detalhe importante. A cafeína não faz o cérebro aprender mais. Ela apenas ajuda a manter o organismo desperto.
Se o estudante está privado de sono, o café pode mascarar a fadiga, mas não recupera o funcionamento normal do cérebro.
Quanto café é demais?
A quantidade ideal varia de pessoa para pessoa.
Em geral, adultos saudáveis costumam tolerar até cerca de 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a aproximadamente três ou quatro xícaras de café coado, dependendo da preparação.
Acima desse limite aumentam as chances de:
- ansiedade;
- tremores;
- palpitações;
- irritabilidade;
- piora da qualidade do sono;
- dificuldade para relaxar.
Outro ponto importante é que o consumo frequente leva ao desenvolvimento de tolerância, reduzindo gradativamente seus efeitos estimulantes.
Energéticos: mais disposição ou mais riscos?
As bebidas energéticas costumam ser vistas como uma versão mais potente do café.
Na prática, nem sempre.
Além da cafeína, muitos produtos possuem elevadas quantidades de açúcar e outras substâncias estimulantes, como taurina e guaraná.
Embora possam aumentar temporariamente o estado de alerta, também estão associados a maior risco de palpitações, aumento da pressão arterial, ansiedade e alterações do sono.
Quando combinados com estresse e privação de sono — situação comum entre concurseiros — esses efeitos podem ser potencializados.
Segundo a Dra. Camille:
“Sentir-se mais desperto não significa que o cérebro esteja aprendendo melhor. Estímulo e aprendizado são processos diferentes.”
Creatina também pode beneficiar o cérebro?
Conhecida principalmente pelo uso na musculação, a creatina também participa da produção de energia das células cerebrais.
Pesquisas recentes investigam seu possível papel na memória e no desempenho cognitivo, principalmente em situações de fadiga mental ou privação de sono.
Embora os resultados sejam promissores, ainda não existem evidências suficientes para recomendar seu uso exclusivamente com o objetivo de melhorar a cognição em pessoas saudáveis.
Ômega-3 ajuda na memória?
O ômega-3 participa da estrutura dos neurônios e possui papel importante para o funcionamento do sistema nervoso.
Apesar disso, estudos sobre suplementação em pessoas saudáveis apresentam resultados inconsistentes.
Já existe consenso, porém, de que uma alimentação rica em peixes, azeite de oliva, castanhas e sementes está associada à saúde cerebral e cardiovascular.
Antes de pensar na cápsula, vale a pena observar a qualidade da alimentação.
Vitaminas realmente aumentam a concentração?
Essa é uma das maiores dúvidas entre candidatos a concursos.
A resposta é: somente quando existe deficiência.
Em pessoas com níveis adequados, não há evidências de que vitaminas melhorem memória ou concentração.
Por outro lado, deficiências de vitamina B12, ferro, vitamina D e alterações da tireoide podem provocar sintomas como:
- fadiga;
- dificuldade de concentração;
- perda de memória;
- baixa disposição.
Nesses casos, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa e indicar o tratamento adequado.
Os chamados nootrópicos funcionam?
Nos últimos anos, popularizou-se o termo “nootrópicos”, utilizado para substâncias que supostamente melhorariam as funções cognitivas.
Apesar da grande divulgação nas redes sociais, não existem evidências robustas que justifiquem o uso indiscriminado desses produtos por pessoas saudáveis.
Além disso, muitos suplementos vendidos pela internet não possuem estudos de qualidade que comprovem eficácia e segurança.
O maior potencializador do cérebro continua sendo gratuito
Se existe uma estratégia realmente capaz de melhorar o desempenho nos estudos, ela não está em uma cápsula.
Os maiores benefícios continuam vindo de quatro pilares fundamentais:
- sono de qualidade;
- alimentação equilibrada;
- prática regular de atividade física;
- controle do estresse.
Segundo a Dra. Camille:
“É compreensível buscar estratégias para melhorar o rendimento. Mas nenhuma cápsula consegue compensar uma rotina completamente desorganizada.”
Como saber se você realmente precisa de suplementação?
Antes de iniciar qualquer suplemento, faça algumas perguntas:
- Estou dormindo bem?
- Minha alimentação é equilibrada?
- Estou ingerindo água suficiente?
- Tenho sintomas persistentes que justificam investigação médica?
- Existe alguma deficiência nutricional comprovada?
Se a resposta às primeiras perguntas for “não”, provavelmente o suplemento ainda não é sua prioridade.
Conclusão
Cafeína, creatina e alguns suplementos podem fazer parte da estratégia de determinados estudantes, desde que utilizados com orientação adequada.
Entretanto, eles jamais substituem os pilares fundamentais da saúde.
Quem deseja estudar melhor para concursos deve investir primeiro em sono, alimentação, atividade física e organização da rotina.
Os suplementos podem complementar esse processo, mas nunca substituir seus alicerces.
Mito ou verdade?
“Quanto mais café eu tomar, melhor será minha concentração.”
❌ Mito. O excesso de cafeína pode provocar ansiedade, tremores, insônia e prejudicar o rendimento.
“Energético substitui uma boa noite de sono.”
❌ Mito. Ele aumenta temporariamente o estado de alerta, mas não recupera os prejuízos causados pela privação de sono.
“Vitaminas só devem ser suplementadas quando existe necessidade clínica.”
✅ Verdade. Em pessoas sem deficiência, não há evidências consistentes de melhora cognitiva apenas com suplementação.
“Nenhum suplemento substitui hábitos saudáveis.”
✅ Verdade. As maiores evidências de melhora do desempenho cognitivo continuam relacionadas ao estilo de vida.
Na próxima matéria
Ansiedade e estudos: como o estresse influencia a memória, a concentração e até a alimentação durante a preparação para concursos públicos. Entenda por que o cérebro ansioso aprende de forma diferente e conheça estratégias para manter o equilíbrio emocional na rotina de estudos.
Leia também: Dormir menos para estudar mais vale a pena? O que a ciência diz sobre o sono e o aprendizado


