Quando Isabel Monteiro Malokowski decidiu fazer o ENAM (Exame Nacional da Magistratura) pela primeira vez, em 2025.2, o resultado não foi o que esperava. Foram 40 acertos e a reprovação.
Para muitos candidatos, uma experiência como essa poderia representar o fim de um sonho ou, pelo menos, uma pausa na caminhada. Para Isabel, de 26 anos, residente em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, a reprovação acabou se transformando em um ponto de virada.
Meses depois, ela retornou à prova com uma preparação completamente diferente. Após sete meses de estudos rigorosos, alcançou inicialmente 52 acertos. Com a retificação do gabarito, chegou a 58 questões corretas e conquistou a aprovação no ENAM 2026.1.
A história, porém, vai muito além de uma mudança na pontuação. É uma trajetória marcada por dúvidas, medo, autossabotagem, persistência e pela decisão de continuar mesmo quando a aprovação ainda parecia distante.
Um sonho que nasceu ainda na faculdade
A magistratura não surgiu como um objetivo de última hora.
Desde o início da graduação em Direito, Isabel já pensava em seguir a carreira. Os estágios realizados na Justiça Federal e na Justiça Estadual ajudaram a aproximá-la da realidade dos processos e fortaleceram seu interesse pelo serviço público.
Em janeiro de 2023, veio a formatura. A aprovação na OAB já estava garantida, mas Isabel não tinha interesse em seguir pela advocacia.
O caminho escolhido foi outro: os concursos públicos.
Durante 2023, ela se dedicou aos estudos para concursos de analista. O problema era que, apesar de estudar, não conseguia encontrar uma metodologia que realmente fizesse seu conhecimento avançar.
Foi então que percebeu uma dificuldade que muitos concurseiros enfrentam: tentar métodos demais pode acabar impedindo a construção de uma rotina consistente.
“O excesso de métodos pode atrapalhar em vez de auxiliar, pois passava de um método para o outro e não evoluía.”, afirma.
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Quando o medo de escolher o caminho certo atrapalhou
Em 2024, Isabel continuava estudando, mas ainda não havia assumido completamente que seu objetivo era a magistratura.
Ela acreditava que deveria primeiro ser aprovada em um concurso de analista para, só então, direcionar os estudos para a carreira-fim.
Hoje, olhando para trás, reconhece que esse pensamento acabou funcionando como uma espécie de autossabotagem.

“Acredito que o ano de 2024, apesar de estudar, eu não conseguia denominar que era para a carreira da magistratura, pois pensei que primeiro deveria aprovar em um concurso de analista para depois focar na carreira fim. Isso com certeza gerou uma autossabotagem.”
Enquanto buscava seu caminho, uma experiência profissional importante também surgiu.
Isabel conseguiu uma residência na Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, em sua cidade. Além de ajudá-la a cumprir o requisito de prática jurídica, a experiência permitiu que ela aproximasse a teoria estudada da realidade profissional.
A vivência mostrou que estudar Direito e vivenciar o Direito eram experiências que podiam caminhar juntas.
A primeira tentativa no ENAM e a dolorosa reprovação
Isabel sabia que precisava enfrentar o ENAM para seguir em direção à magistratura. Mas foi somente no ENAM 2025.2 que encontrou coragem para fazer a primeira tentativa.
Ainda sem uma estratégia completamente consolidada, continuava mudando de materiais e tentando manter a legislação seca impressa sempre atualizada.
O problema era que, nesse processo, gastava muito tempo refazendo anotações e reorganizando conteúdos. Além disso, algumas matérias ainda não estavam suficientemente compreendidas para que ela conseguisse resolver as questões com segurança.
O resultado foi 40 acertos.
A reprovação trouxe frustração, mas também uma percepção importante: era necessário mudar. E, talvez mais difícil do que aceitar a reprovação, foi lidar com o medo de tentar novamente.
Isabel tinha receio de fazer o próximo exame e repetir exatamente o mesmo resultado.
“Com certeza, senti muito medo de prestar o próximo exame e ser reprovada novamente com a mesma pontuação, sem evoluir”, desabafa.
Dezembro de 2025 marcou o começo de uma nova Isabel
A virada começou em dezembro de 2025.
Dessa vez, Isabel decidiu construir uma rotina mais consistente. Passou a fazer diariamente a leitura de um cronograma de lei seca e encontrou no YouTube as videoaulas do Magistrar.
No início, a sensação não era de domínio. Pelo contrário. Ela conta que, nas primeiras aulas, sentia que não sabia nada das matérias. Mesmo assim, continuou.
Assistia. Reassistia. Voltava aos conteúdos.
“Em um primeiro momento, sentia que não sabia nada das matérias, mas assistia e reassistia as aulas, principalmente as focadas para o ENAM, as quais foram fundamentais para a evolução dos meus estudos”, conta.
Aos poucos, o que antes parecia distante começou a fazer sentido. Foram sete meses de preparação rigorosa, até a realização do ENAM 2026.1.
Dessa vez, Isabel não estava tentando encontrar o método perfeito. Estava construindo constância.
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Até a revisão de véspera fez parte da jornada
A preparação não terminou na véspera da prova.
Isabel acompanhou a revisão de véspera promovida pelo Magistrar, que contou com muitas horas de conteúdo no sábado, e ainda acompanhou as últimas dicas no domingo pela manhã.
Mesmo assim, ela não acreditava que aquela seria sua prova de aprovação. Sua expectativa era mais cautelosa.
Ela faria a prova, ganharia experiência e continuaria estudando. A aprovação, pensava Isabel, poderia ficar para o próximo exame.
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52 acertos: a frustração que também virou esperança
Depois da prova, Isabel corrigiu as questões. O resultado inicial: 52 acertos.
Ainda não era suficiente para aquilo que ela esperava. A frustração apareceu. Mas, dessa vez, havia algo diferente.
Na prova anterior, tinham sido 40 acertos. Agora, eram 52. Doze questões a mais.
Mesmo sem saber se conseguiria a aprovação, Isabel percebeu que aqueles meses de preparação haviam produzido resultado.
“É uma evolução, esses meses de estudo deram algum resultado!”
Era uma pequena vitória em meio à incerteza. Mas a história ainda não tinha terminado.
Quando ela percebeu que as mudanças no gabarito poderiam mudar tudo
No mesmo dia, começaram os comentários sobre a possibilidade de algumas questões terem seus gabaritos alterados.
Isabel tentou não alimentar expectativas. Preferiu manter os pés no chão. “É difícil, melhor não se iludir”, pensou.
No dia seguinte, porém, veio a notícia da retificação do gabarito. Isabel pegou novamente a prova e conferiu as questões. Ela percebeu que justamente aquelas alterações poderiam fazer a diferença. O resultado, então, mudou.
De 52 para 58 acertos. Dessa vez, era aprovação. A emoção tomou conta.
Mas, curiosamente, junto com a felicidade veio também um sentimento inesperado: o medo.
Depois de tanto tempo pensando na magistratura como um objetivo distante, Isabel finalmente havia conseguido chegar ao primeiro passo.
“Posso prestar o concurso da magistratura e agora?”
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A certeza só veio quando viu seu nome no Diário Oficial
Mesmo com o resultado, Isabel ainda tinha dificuldade para acreditar que havia conseguido.
A confirmação definitiva veio somente quando ela encontrou seu nome no Diário Oficial da União.
Ali, diante da publicação oficial, o sonho deixou de ser apenas uma possibilidade. Era realidade.
Aos 26 anos, depois de uma reprovação e de uma mudança completa na metodologia de estudos, Isabel havia sido aprovada no ENAM 2026.1.
De 40 para 58 acertos: 18 questões que contam uma história
Os números resumem uma parte importante dessa trajetória.
No ENAM 2025.2, Isabel fez 40 acertos. No ENAM 2026.1, chegou a 58. Foram 18 questões a mais.
Mas, por trás dessas 18 questões, existem meses de estudo, dúvidas, medo de fracassar novamente, mudança de materiais, construção de uma rotina, aulas assistidas e reassistidas, leitura diária de lei seca e, principalmente, a decisão de continuar.
A reprovação não desapareceu da história.
Ela passou a fazer parte dela.
Foi justamente a partir daquela experiência que Isabel percebeu o que precisava mudar para evoluir.
Agora, o sonho continua: a magistratura estadual
A aprovação no ENAM não representa o ponto final para Isabel. É o início de uma nova etapa.
Com o caminho para a magistratura aberto, ela agora está focada no cronograma da magistratura estadual, carreira que sempre esteve entre seus maiores objetivos.
E a forma de estudar também continua evoluindo.
Depois de encontrar dificuldades com o excesso de métodos no início da preparação, Isabel hoje destaca sua experiência com a plataforma do Magistrar e o Cérebro.
“Estou amando estudar na plataforma com o cérebro, pois o estudo é muito mais dinâmico e interativo com o conteúdo.”
A história de Isabel deixa uma mensagem especialmente importante para quem ainda está no caminho: uma reprovação não precisa definir o resultado da próxima prova.
Às vezes, ela pode ser justamente o momento que mostra o que precisa mudar.
Isabel não foi aprovada porque a jornada foi fácil. Foi aprovada porque, depois de descobrir que a estratégia anterior não estava funcionando, decidiu mudar, e teve coragem de continuar.
De 40 para 58 acertos, a evolução não aconteceu de um dia para o outro.
Foi construída questão por questão, aula por aula, dia após dia.
E agora, aquele sonho que um dia parecia distante ganhou um novo significado: a magistratura deixou de ser apenas um objetivo futuro e passou a ser o próximo desafio.


