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Concurso Polícia Penal RN: MP investiga fraudes e possível anulação das provas

Investigação apura suspeitas de fraude durante as provas, circulação de imagens do caderno de questões e possíveis falhas nos procedimentos de segurança

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) abriu um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades no concurso público da Polícia Penal do RN e de Especialista em Assistência Penitenciária.

O procedimento, instaurado nesta terça-feira (15), avalia se as provas escritas realizadas no último domingo (13) devem ser anuladas. O concurso oferece 260 vagas imediatas, além de cadastro de reserva, e registrou mais de 40 mil inscritos.

MP investiga possível anulação das provas

A abertura do inquérito foi determinada pela 70ª Promotoria de Justiça de Natal, por meio de portaria assinada pelo promotor Vitor Emanuel de Medeiros Azevedo.

Confira a abertura do inquérito!

O objetivo é verificar se as irregularidades identificadas durante a aplicação das provas foram suficientes para comprometer a lisura e a credibilidade do concurso. O Ministério Público pretende avaliar, principalmente, se os mecanismos de segurança utilizados pela organização foram adequados para impedir fraudes.

A investigação não significa que as provas tenham sido anuladas. Até o momento, o MPRN apenas instaurou o procedimento para apurar os fatos e avaliar se existe fundamento para uma eventual anulação.

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Fraudes foram alvo de operação da Polícia Civil

A investigação do Ministério Público ocorre após uma operação da Polícia Civil que resultou na prisão em flagrante de 12 pessoas suspeitas de envolvimento em fraudes durante a aplicação das provas.

De acordo com as informações policiais, dez prisões ocorreram em Mossoró e duas em Natal.

Em Mossoró, os investigadores identificaram indícios de utilização de equipamentos eletrônicos, como pontos eletrônicos, para que candidatos recebessem informações durante a realização da prova.

Em Natal, a suspeita é de que pessoas que estavam fora dos locais de aplicação tenham resolvido questões da prova e transmitido as respostas aos candidatos por meio de aparelhos eletrônicos.

Outro fato citado pelo MPRN é a circulação de imagens do caderno de questões em grupos de WhatsApp. As imagens indicariam que o conteúdo da prova teria sido fotografado e compartilhado durante a aplicação do exame.

MP aponta possíveis falhas na segurança

Além das suspeitas de fraude, o Ministério Público também vai apurar os procedimentos de segurança adotados pela banca organizadora, o Instituto Avalia.

Segundo a portaria, a análise dos procedimentos policiais já formalizados indicou que podem ter ocorrido falhas na utilização de detectores de metais nos locais de prova.

O MP quer verificar se os equipamentos foram utilizados em todos os locais de aplicação e, caso não tenham sido, quais foram os motivos para a ausência dos aparelhos.

A investigação também pretende dimensionar a extensão das possíveis irregularidades e verificar se elas foram capazes de comprometer a igualdade de condições entre os candidatos.

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O que o Ministério Público pediu à Sead e ao Instituto Avalia?

O MPRN requisitou à Secretaria Estadual da Administração (Sead) e ao Instituto Avalia informações sobre a realização do concurso. Os órgãos terão prazo de 15 dias para apresentar os dados solicitados.

Entre as informações requisitadas estão:

  • relação de todos os locais onde as provas foram aplicadas;
  • medidas de prevenção e combate a fraudes adotadas ou planejadas para o concurso;
  • informações sobre a utilização de detectores de metais;
  • quantidade de detectores utilizados e os respectivos locais de aplicação;
  • justificativas para a eventual não utilização dos equipamentos;
  • informações sobre eventual contato prévio com órgãos de inteligência e investigação para reforçar a segurança do concurso.

O Ministério Público também determinou o acompanhamento das investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa do Patrimônio Público e do Combate à Corrupção (Deccor), relacionadas aos dias 13 e 14 de setembro.

Concurso da Polícia Penal do RN tem 260 vagas

O concurso da Polícia Penal do Rio Grande do Norte oferece 260 vagas imediatas, além de oportunidades para formação de cadastro de reserva.

As vagas são destinadas a cargos de nível superior. O concurso contempla o cargo de Policial Penal e funções de Especialista em Assistência Penitenciária nas áreas de médico psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e assistente social.

As remunerações iniciais informadas no concurso variam de R$ 3.500 a R$ 5.681,78, sendo o maior valor destinado ao cargo de Policial Penal.

Segundo o governo do Rio Grande do Norte, mais de 40 mil candidatos se inscreveram no certame.

O que pode acontecer com o concurso?

Neste momento, ainda não há decisão sobre a anulação das provas. O inquérito civil aberto pelo Ministério Público servirá para reunir informações e verificar a dimensão das possíveis irregularidades.

Caso a investigação conclua que as fraudes ou falhas de segurança comprometeram a isonomia entre os candidatos e a credibilidade do concurso, o Ministério Público poderá adotar as medidas cabíveis.

As suspeitas investigadas pela Polícia Civil podem se enquadrar no artigo 311-A do Código Penal, que trata da utilização ou divulgação indevida de conteúdo sigiloso de concurso público com o objetivo de beneficiar alguém ou comprometer a credibilidade do certame. A pena prevista para o crime é de um a quatro anos de prisão.

Por enquanto, portanto, os candidatos devem aguardar o andamento da investigação e eventuais manifestações da Secretaria Estadual da Administração, do Instituto Avalia e do próprio Ministério Público sobre o futuro das provas.

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