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O que você come pode influenciar sua memória e concentração? O que a ciência realmente diz

Não existem alimentos milagrosos para aumentar a inteligência, mas algumas escolhas alimentares podem favorecer o funcionamento do cérebro e contribuir para um melhor desempenho durante os estudos
  Por Dra. Camille Rebellato Sanches – Médica especialista em Nutrologia, Emagrecimento e Longevidade

A rotina de quem estuda para concursos públicos costuma ser marcada por longas horas de leitura, revisões e resolução de questões. Nesse cenário, muitos candidatos buscam estratégias para melhorar a concentração e potencializar o aprendizado.

Mas será que existe algum alimento capaz de aumentar a memória ou fazer o cérebro funcionar melhor?

A resposta é mais complexa do que parece. Embora não existam alimentos milagrosos, a ciência já demonstrou que uma alimentação equilibrada exerce papel importante no funcionamento do cérebro e pode contribuir para um melhor desempenho cognitivo ao longo da preparação.

É justamente por entender que a aprovação depende de uma preparação completa, que envolve não apenas técnica de estudo, mas também saúde física e mental, que a Mentoria Magistrar 2027 passa a oferecer um diferencial aos seus alunos: consultas com a Dra. Camille Rebellato Sanches. O objetivo é proporcionar um acompanhamento individualizado para ajudar os alunos a desenvolver hábitos que favoreçam a performance durante toda a jornada de estudos.

Nesta série de artigos, a Dra. Camille apresenta informações baseadas em evidências científicas sobre como a saúde pode influenciar o rendimento dos concurseiros. Neste texto, ela explica o que a alimentação realmente pode fazer pela memória, concentração e aprendizado.

O cérebro depende da alimentação para funcionar bem

Quem nunca ouviu que chocolate melhora a memória, peixe aumenta a inteligência ou café faz estudar melhor?

Essas afirmações são populares, mas a ciência mostra que o funcionamento do cérebro não depende de um alimento específico, e sim da qualidade da alimentação ao longo do tempo.

Não existe uma fruta capaz de fazer alguém decorar um código inteiro nem uma vitamina que substitua horas de estudo. Em compensação, uma alimentação inadequada pode comprometer energia, atenção, memória e até o humor, fatores essenciais para quem enfrenta uma rotina intensa de preparação.

Segundo a Dra. Camille Rebellato Sanches:

“O cérebro nunca para de trabalhar. Por isso, ele precisa receber nutrientes de forma constante. Quando essa oferta é inadequada, o organismo prioriza funções essenciais, mas o rendimento cognitivo pode ser prejudicado.”

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O cérebro consome muita energia

Embora represente apenas cerca de 2% do peso corporal, o cérebro utiliza aproximadamente 20% da energia consumida pelo organismo em repouso.

Isso acontece porque bilhões de neurônios permanecem ativos continuamente, formando memórias, processando informações, controlando emoções e coordenando praticamente todas as funções do corpo.

Por esse motivo, permanecer muitas horas sem comer ou fazer refeições pobres em nutrientes pode reduzir a disposição e dificultar a concentração durante os estudos.

Qualidade da alimentação faz diferença

Durante muito tempo acreditou-se que bastava fornecer calorias ao organismo. Hoje já se sabe que a qualidade desses alimentos é determinante.

Dietas ricas em ultraprocessados costumam apresentar excesso de açúcares, gorduras de baixa qualidade e sódio, além de serem pobres em fibras, vitaminas e minerais.

Esse padrão alimentar está associado ao aumento da inflamação e pode prejudicar, ao longo do tempo, também a saúde cerebral.

Em contrapartida, uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados apresenta associação consistente com melhor desempenho cognitivo.

Proteínas ajudam no funcionamento do cérebro

Além de sua conhecida função na manutenção da massa muscular, as proteínas fornecem aminoácidos importantes para a produção de neurotransmissores, como serotonina, dopamina e noradrenalina.

Essas substâncias participam diretamente dos mecanismos relacionados à motivação, atenção, disposição e aprendizagem.

Boas fontes de proteína incluem:

  • ovos;
  • carnes magras;
  • peixes;
  • frango;
  • leite e derivados;
  • feijão, lentilha e grão-de-bico.

Gorduras saudáveis também são essenciais

O cérebro possui grande quantidade de gordura em sua estrutura.

Ácidos graxos como o ômega-3 participam da formação das membranas neuronais e da comunicação entre as células nervosas.

Embora os estudos sobre suplementação ainda apresentem resultados variados em indivíduos saudáveis, há consenso de que uma alimentação rica em peixes, azeite de oliva, castanhas e sementes integra um padrão alimentar favorável à saúde do cérebro.

Vitaminas e minerais influenciam o desempenho cognitivo

Vitaminas do complexo B, vitamina D, ferro, magnésio e zinco participam de diversos processos do sistema nervoso.

Quando existem deficiências nutricionais, podem surgir sintomas como:

  • fadiga persistente;
  • dificuldade de concentração;
  • perda de memória;
  • redução da atenção;
  • desânimo.

A Dra. Camille faz um alerta:

“Nem toda dificuldade de concentração é causada por deficiência de vitaminas. Porém, quando existem sintomas persistentes, vale a pena investigar possíveis alterações clínicas antes de recorrer à automedicação.”

Por isso, suplementos só devem ser utilizados quando houver indicação médica.

Açúcar melhora o rendimento?

Apesar de utilizar glicose como fonte de energia, o cérebro não funciona melhor com grandes quantidades de açúcar.

Refeições muito ricas em doces costumam provocar rápida elevação da glicemia, seguida por uma queda igualmente rápida, o que pode causar sonolência, fome precoce e dificuldade para manter a atenção.

A recomendação é priorizar refeições equilibradas, com proteínas, fibras e carboidratos de boa qualidade.

Existe algum alimento que melhora a memória?

A resposta é simples: não isoladamente.

Os benefícios observados nas pesquisas aparecem quando se analisa o padrão alimentar mantido por meses ou anos.

Entre os modelos mais estudados está a dieta mediterrânea, caracterizada pelo consumo frequente de frutas, verduras, legumes, peixes, azeite de oliva, oleaginosas e grãos integrais.

Esse padrão alimentar está associado à preservação da saúde cardiovascular e à redução do risco de declínio cognitivo.

O erro mais comum entre concurseiros

Na tentativa de ganhar tempo, muitos estudantes adotam hábitos que acabam prejudicando o próprio rendimento.

Entre os mais frequentes estão:

  • pular refeições;
  • substituir o almoço por lanches rápidos;
  • exagerar no consumo de café e energéticos;
  • beber pouca água;
  • permanecer horas sem se alimentar.

Essas práticas podem parecer eficientes no curto prazo, mas comprometem a manutenção da concentração ao longo dos meses de preparação.

Como montar um prato favorável ao cérebro

Não existe uma fórmula perfeita, mas algumas recomendações ajudam:

  • incluir uma fonte de proteína nas principais refeições;
  • preencher metade do prato com verduras e legumes;
  • consumir carboidratos de boa qualidade, preferencialmente integrais;
  • incluir gorduras saudáveis, como azeite e castanhas;
  • distribuir frutas ao longo do dia;
  • manter boa hidratação.

Segundo a Dra. Camille:

“O objetivo não é buscar uma alimentação perfeita. É construir uma rotina alimentar que ofereça ao cérebro condições para funcionar bem todos os dias.”

Não procure alimentos milagrosos

Quem estuda para concursos costuma buscar atalhos: suplementos, bebidas estimulantes ou alimentos considerados “mágicos”.

Entretanto, as evidências científicas mostram que o desempenho cognitivo depende muito mais da combinação de hábitos saudáveis do que de qualquer estratégia isolada.

Dormir bem, alimentar-se adequadamente, praticar atividade física, controlar o estresse e manter uma boa hidratação formam a base para um cérebro mais preparado para aprender e memorizar.

Conclusão

A alimentação é uma das ferramentas mais importantes para manter o organismo saudável e o cérebro funcionando adequadamente.

Ela não substitui horas de estudo, mas pode tornar esse estudo mais eficiente.

Quem deseja alto desempenho nos concursos deve entender que cuidar da saúde não significa apenas prevenir doenças.

Significa criar as condições ideais para aprender, memorizar e manter a concentração durante toda a preparação.

No fim das contas, o melhor “alimento para o cérebro” continua sendo uma rotina saudável construída de forma consistente.


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