A prova de sentença costuma representar um dos momentos mais decisivos dos concursos para ingresso na magistratura. Mesmo candidatos que apresentam bom desempenho nas provas objetiva e discursiva podem encontrar dificuldades quando precisam analisar um caso concreto e elaborar uma decisão judicial completa.
Segundo o Juiz e Coordenador Pedagógico do Magistrar, Alexandre Piovesan, a sentença não é necessariamente a etapa mais difícil do concurso.
“A prova de sentença não chega a ser, em si, a etapa mais difícil do concurso, mas é a etapa que costuma reprovar mais. Isso acontece porque normalmente não treinamos para a prova de sentença”, explica.
Por que bons candidatos também são eliminados?
O desempenho nas fases anteriores não garante facilidade na prova de sentença. Durante boa parte da preparação, os candidatos concentram os estudos na resolução de questões objetivas e na produção de respostas discursivas. A objetiva exige principalmente o reconhecimento da alternativa correta, enquanto a discursiva cobra a elaboração de respostas jurídicas sobre temas determinados.
A prova de sentença, porém, cobra habilidades diferentes: ela exige a resolução prática de um caso, reunindo conhecimento jurídico, capacidade de análise, técnica redacional, estruturação e controle do tempo.
Por isso, candidatos que demonstraram domínio do conteúdo nas primeiras etapas podem ser eliminados por não terem desenvolvido as habilidades específicas exigidas na prova prática.
Na avaliação de Alexandre Piovesan, esse conjunto de fatores transforma a sentença no maior funil dos concursos para a magistratura. Mais do que ampliar o conhecimento teórico, o candidato precisa incluir o treinamento prático e recorrente na preparação para conseguir aplicar esse conteúdo no formato exigido pela banca.
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Falta de treino provoca uma sequência de dificuldades
Para o professor, a falta de treino não representa um problema isolado. Ela gera uma sequência de dificuldades que pode comprometer todo o desempenho do candidato, como um erro “em espiral”.
Sem prática, o concorrente pode ter dificuldade para dominar a técnica redacional, estruturar corretamente a sentença e identificar as pegadinhas recorrentes da banca.
“A reprovação vem não pela falta de conhecimento jurídico, mas pela falta de conhecimento formal quanto à técnica de estruturação”, explica.
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Estrutura e gestão do tempo estão relacionadas
A elaboração de uma sentença exige que o candidato leia o caso, identifique as questões relevantes, analise as provas, organize os fundamentos e redija a decisão dentro do período determinado.
Por isso, estrutura e gestão do tempo possuem importância equivalente. O treinamento também ajuda a tornar a estrutura da sentença mais natural, reduzindo o tempo gasto para decidir como cada ponto deverá ser abordado.
“Quanto mais eu treino, mais consigo fazer rápido e, notadamente, mais consigo acertar na estrutura”, afirma o professor.
A dificuldade com o tempo, portanto, não deve ser tratada separadamente da técnica. A repetição permite que o candidato desenvolva um método de resolução e ganhe segurança para executar cada etapa da prova.
Rascunho ajuda a organizar a sentença
Uma das estratégias recomendadas por Alexandre Piovesan é elaborar um rascunho antes de iniciar a redação definitiva.
O candidato deve utilizar esse momento para estruturar os tópicos que serão abordados, definir a ordem da fundamentação e registrar os principais pontos do caso. Depois, poderá desenvolver cada item no texto final.
Essa organização prévia diminui o risco de esquecer questões importantes, repetir argumentos ou perceber, já no fim da prova, que deixou de analisar algum ponto relevante.


