A jornada rumo à aprovação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM) é desafiadora para qualquer candidato. Quando se adicionam à equação dois filhos pequenos, uma carreira consolidada e uma rotina já estabelecida, o cenário parece ainda mais complexo.
Foi exatamente esse o caminho percorrido por Ana Carolina Abelha, 38 anos, analista do TRT da 2ª Região, que conquistou a aprovação no ENAM 2026.1 com expressivos 60 acertos.
Em entrevista ao Magistrar, Ana Carolina compartilhou sua trajetória inspiradora, que começou com uma sementinha plantada pelo marido, passou por altos e baixos nas tentativas anteriores, e encontrou no método certo a virada de chave para o sucesso.
“Nunca foi meu objetivo”
Diferente de muitos candidatos que sonham com a magistratura desde a faculdade, Ana Carolina confessa que a carreira nunca esteve em seus planos. Servidora pública desde 2014 e assistente de juiz do trabalho desde 2015, ela estava plenamente satisfeita com sua rotina.
“Desde que tomei posse no meu concurso de analista, eu estava muito satisfeita com minhas atribuições. Estou em home office desde 2015, minha vida é muito tranquila com relação ao trabalho. A remuneração é boa, então eu estava satisfeita”, relembra.
Mas o destino, como ela mesma diz, tinha outros planos. O marido, brincando, sempre dizia que ela “tinha que ser juíza”. E uma amiga juíza no TRT-2 plantou a sementinha definitiva: “Carol, você passou no concurso de analista muito melhor do que eu. Se eu sou juíza, você também pode ser.”
O despertar tardio
O momento certo chegou quando o filho mais novo fez um ano, as crianças estavam na creche e o trabalho estava tranquilo. “Falei: acho que vou estudar”, conta.
Só que havia um pequeno detalhe: mais de uma década sem estudar para concursos, nenhum conhecimento sobre o ENAM, que sequer existia em sua época de concurseira, e um prazo curto pela frente.
“Não sabia nada do mundo de concurso, não conhecia nenhum cursinho, não sabia nem que o ENAM existia.”
A descoberta do Magistrar
Foi nesse cenário de total desconhecimento que Ana Carolina encontrou o Magistrar. Encantou-se imediatamente com as aulas de Humanas e Humanística do professor Alexandre: “Ali, logo de cara, já me apaixonei”.

Sua primeira tentativa, no ENAM 2025.1, rendeu 55 acertos, um resultado que a deixou animada. “Falei: nossa, a prova nem é tão difícil assim, quase passei.”
Mas o ENAM 2025.2 trouxe uma dura realidade: apenas 49 ou 50 acertos, com um desempenho catastrófico em Humanas e Humanística. “Fiquei muito longe de passar. Ali eu desestruturei.“
A virada de chave: o Cérebro
Foi nesse momento de frustração que surgiu o “Cérebro”, ferramenta lançada pelo Magistrar. A princípio resistente — “sou uma pessoa que gosto de assistir videoaula e fazer meu caderno” — Ana Carolina decidiu dar uma chance.
O que a convenceu? A combinação perfeita de elementos que ela precisava: jurisprudência atualizada, compilado de leis, resumos objetivos, questões práticas e (talvez o mais importante para quem tem tempo limitado) um cronograma pronto.
“Montei o cronograma do ENAM e fui estudando. Não sabia montar um cronograma, quando estudava em 2010, não existia isso. Era sentar o bumbum na cadeira, fazer questão e ler a lei. Só.”
Com a ferramenta, ela conseguiu conciliar o estudo das matérias complementares à magistratura trabalhista, como Processo Civil, Penal e Empresarial, sem se perder no excesso de material.
“O Cérebro não é uma coisa exagerada de um milhão de materiais. É uma coisa objetiva. Impressionante. Amo. Falo pra todo mundo: quem estuda pra concurso tem que ter.”

A aprovação no ENAM veio na terceira tentativa
Com a organização do cronograma, o estudo direcionado de jurisprudência e a disciplina de três horas diárias, Ana Carolina chegou ao ENAM 2026.1 preparada. O resultado: 60 acertos e a tão sonhada aprovação.
“Foi uma libertação. Porque eu tava agoniada: preciso começar a estudar pra trabalhista, que não cai no ENAM. Em 2025.2 tentei conciliar os dois e foi péssimo. Agora posso focar na segunda fase.”
Com a aprovação conquistada, agora pode direcionar toda a preparação para as próximas etapas da carreira. Mesmo assim, ela pretende fazer o ENAM 2026.2.
“O ENAM ajuda a manter vivas disciplinas importantes da primeira fase, como Direito Civil, Processo Civil, Penal e Empresarial.”
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Recado para quem sonha com a magistratura
Para as mulheres que, como ela, conciliam a maternidade com o sonho da magistratura, Ana Carolina é direta:
“Possível é. Não sou a primeira nem a última mãe que resolve entrar nesse desafio. Mas não é uma tarefa fácil.”
Ela lista os pilares que considera essenciais:
- Resiliência, paciência e persistência — sem pressa, pois é um projeto de médio a longo prazo
- Saber o que quer e priorizar — mesmo que isso signifique abrir mão de feriados e fins de semana
- Não se comparar — cada realidade é única, especialmente para quem tem filhos pequenos
- Bom assessoramento — “sozinha, se pro ENAM, que é só prova objetiva, eu não conseguiria dar conta, imagina pra um concurso inteiro”
Seu conselho final resume sua filosofia: “Consistência, persistência, resiliência e um bom assessoramento. Não é fórmula mágica, mas funciona.”
Para Ana Carolina, a aprovação no ENAM representa apenas o início da caminhada rumo à magistratura, um sonho que nasceu por acaso, amadureceu entre fraldas, home office e rotina familiar, e hoje se tornou um projeto de vida.


