miniblack cérebro
Início Concursos Ansiedade e estudos: como o estresse afeta a memória e o desempenho nos concursos

Ansiedade e estudos: como o estresse afeta a memória e o desempenho nos concursos

Entenda como a ansiedade afeta o desempenho nos estudos e saiba quais hábitos podem reduzir seus impactos durante a preparação para concursos públicos

Por Dra. Camille Rebellato Sanches – Médica especialista em Nutrologia, Emagrecimento e Longevidade

Quem estuda para concursos públicos convive diariamente com metas, cobranças, incertezas e um longo período de preparação. Nesse cenário, é comum ouvir relatos de candidatos que afirmam que “a ansiedade está atrapalhando os estudos”. E, na maioria das vezes, essa sensação tem uma explicação fisiológica.

Quando o organismo permanece em estado constante de alerta, diversas funções importantes para a aprendizagem passam a ser afetadas, como a memória, a concentração, o sono e até os hábitos alimentares.

Entender como esse processo acontece é o primeiro passo para preservar a saúde sem comprometer o desempenho nos estudos.

Siga @magistrarcursos
📚 Conteúdos diários, dicas de estudos e novidades sobre concursos jurídicos

A ansiedade nem sempre é uma inimiga

Antes de tudo, é importante desfazer um mito: sentir ansiedade não é, necessariamente, algo negativo.

A ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações importantes ou desafiadoras. Antes de uma prova, por exemplo, um aumento moderado desse estado pode melhorar o foco, a atenção e a capacidade de reação.

O problema surge quando esse mecanismo permanece ativado por dias, semanas ou até meses.

Nessas situações, o organismo deixa de responder apenas a um desafio pontual e passa a funcionar continuamente como se estivesse diante de uma ameaça.

Segundo a Dra. Camille Rebellato Sanches:

“Nosso organismo foi preparado para lidar com situações de estresse agudo. O que ele não faz tão bem é permanecer em alerta o tempo todo.”

Mentoria Magistrar 2027: acompanhamento médico para potencializar sua preparação

Preparar-se para concursos exige muito mais do que dominar o conteúdo programático. Pensando nisso, a Mentoria Magistrar 2027 oferece um acompanhamento multidisciplinar voltado ao desempenho do aluno.

Entre os diferenciais da próxima turma está o acompanhamento médico com a Dra. Camille Rebellato Sanches, especialista em Nutrologia e Performance.

Durante a mentoria, os alunos terão direito a consultas médicas voltadas à otimização da saúde, qualidade do sono, alimentação, energia, concentração e hábitos que influenciam diretamente o rendimento nos estudos.

A proposta é oferecer um cuidado integral, reconhecendo que um cérebro saudável depende também de um organismo saudável para alcançar o máximo desempenho durante a preparação.

O que acontece no cérebro quando estamos ansiosos?

Ao perceber uma situação de estresse, o cérebro ativa o chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de hormônios como adrenalina e cortisol.

Em curto prazo, essas substâncias ajudam o organismo, aumentando o estado de alerta e preparando o corpo para agir rapidamente.

Entretanto, quando permanecem elevadas por muito tempo, seus efeitos deixam de ser benéficos.

O excesso de cortisol está associado à piora da qualidade do sono, dificuldade de concentração, redução da capacidade de memorização e menor rendimento intelectual.

Em outras palavras, é como tentar estudar enquanto o cérebro acredita que precisa resolver uma emergência o tempo inteiro.

Por que fica mais difícil memorizar?

Uma das reclamações mais frequentes entre concurseiros é:

“Eu estudo, mas parece que nada fica.”

Isso acontece porque aprender depende diretamente da atenção.

Quando a ansiedade está elevada, grande parte dos recursos mentais é consumida por preocupações constantes:

  • “Será que vou conseguir?”
  • “Estou atrasado em relação aos outros.”
  • “E se eu não passar?”

Esses pensamentos competem diretamente com o conteúdo estudado, reduzindo a capacidade de retenção das informações.

Ansiedade e alimentação: uma relação mais forte do que parece

O estresse também interfere na alimentação.

Algumas pessoas passam a consumir alimentos ricos em açúcar e gordura em busca de conforto emocional. Outras, ao contrário, perdem completamente o apetite.

Segundo a Dra. Camille:

“Perceber mudanças importantes na alimentação durante períodos de ansiedade não significa falta de disciplina. Significa que o corpo também responde às emoções.”

Essas alterações fazem parte da resposta fisiológica ao estresse e não devem ser encaradas apenas como falta de força de vontade.

O círculo vicioso do estresse

Na preparação para concursos, é comum que diversos fatores se alimentem mutuamente.

A ansiedade dificulta o sono.

Dormir mal aumenta o cansaço.

O cansaço reduz a produtividade.

A queda no rendimento gera ainda mais preocupação.

E essa preocupação intensifica novamente a ansiedade.

Romper esse ciclo é essencial para preservar o desempenho ao longo da preparação.

Como saber se o estresse está passando do limite?

Sentir nervosismo antes de uma prova é esperado.

Porém, alguns sinais merecem atenção quando passam a fazer parte da rotina:

  • dificuldade persistente para dormir;
  • preocupação constante;
  • irritabilidade excessiva;
  • dificuldade de concentração;
  • cansaço frequente;
  • alterações importantes no apetite;
  • dores musculares recorrentes;
  • sensação de esgotamento.

Quando esses sintomas permanecem por semanas ou comprometem a rotina, é recomendável procurar avaliação profissional.

O que a ciência recomenda para reduzir o impacto da ansiedade?

Não existe uma solução única, mas algumas estratégias apresentam forte respaldo científico:

  • manter horários regulares de sono;
  • praticar atividade física regularmente;
  • realizar pausas durante os estudos;
  • manter uma alimentação equilibrada;
  • reservar momentos de lazer e convivência social.

Esses hábitos não eliminam completamente a ansiedade, mas tornam o organismo mais preparado para lidar com ela.

É possível estudar sem ansiedade?

Provavelmente, não.

Quem sonha com uma aprovação naturalmente se preocupa com o resultado.

O objetivo não deve ser eliminar completamente a ansiedade, mas impedir que ela assuma o controle da rotina.

Como destaca a Dra. Camille:

“O estudante não precisa esperar sentir motivação todos os dias para continuar. Mas também não deve acreditar que cuidar da saúde emocional é perda de tempo. Ela faz parte da preparação.”

Quando buscar ajuda profissional?

Nem toda ansiedade exige tratamento medicamentoso.

Por outro lado, também não devemos normalizar o sofrimento intenso.

Quando os sintomas passam a comprometer os estudos, o trabalho, os relacionamentos ou a qualidade de vida, procurar ajuda médica e psicológica é um passo importante.

Cuidar da saúde mental não representa fraqueza.

Representa responsabilidade consigo mesmo e faz parte de uma preparação sustentável para concursos públicos.

Conclusão

Preparar-se para um concurso é um desafio intelectual, mas também emocional.

O cérebro aprende melhor quando se sente seguro, descansado e saudável.

Ignorar a ansiedade não faz com que ela desapareça. Pelo contrário: muitas vezes apenas prolonga seus efeitos sobre a memória, a concentração, o sono e a alimentação.

A boa notícia é que pequenas mudanças de rotina, aliadas ao cuidado com a saúde física e emocional, podem tornar a preparação mais leve, equilibrada e eficiente.

No fim das contas, cuidar da mente também faz parte do estudo.

Mito ou verdade?

“Todo tipo de ansiedade faz mal.”

Mito. Em níveis adequados, a ansiedade é uma resposta natural do organismo e pode até favorecer o estado de alerta.

“O estresse prolongado pode prejudicar memória e concentração.”

Verdade. O excesso de cortisol, associado ao estresse crônico, pode comprometer funções cognitivas importantes para a aprendizagem.

“Comer doces resolve a ansiedade.”

Mito. O açúcar pode proporcionar sensação momentânea de prazer, mas não trata a ansiedade e pode favorecer episódios de compulsão alimentar.

“Cuidar da saúde mental também faz parte da preparação para concursos.”

Verdade. Sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional contribuem para um melhor desempenho durante toda a jornada de estudos.

Próxima matéria

Como manter uma alimentação saudável mesmo com uma rotina intensa de estudos

No próximo artigo, a Dra. Camille apresentará estratégias práticas para organizar refeições, montar marmitas, escolher lanches inteligentes e manter uma alimentação equilibrada mesmo durante longas jornadas de estudo.

Leia também: Café, energéticos e suplementos: eles realmente ajudam a estudar melhor para concursos?

Este conteúdo foi útil?

Compartilhe este conteúdo