Naides Eunice da Silva Braz, 56 anos, Analista Jurídica do Ministério Público do Estado de São Paulo desde 2017, conquistou a aprovação no ENAM 2026.1 com 59 acertos, resultado que marca o fim de uma jornada marcada por tentativas, interrupções e, principalmente, pela descoberta de que estudar bem é diferente de estudar muito.
A formação de Naide começou em 2005, quando se graduou em Direito. Depois veio a pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal, seguida de outra em Processo Civil. Mas o título profissional que sempre buscou foi outro: o de juíza. A magistratura era o objetivo final desde que ingressou no Ministério Público em 2017, quando a rotina profissional exigente começou a moldar não apenas sua carreira, mas também sua preparação para concursos.
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A facilidade que não era o suficiente
Naide conta, em entrevista à equipe de jornalismo do Magistrar, que sempre teve facilidade para aprender. Na escola, na faculdade, no trabalho, absorvia o conteúdo com naturalidade. Mas quando começou a estudar para concursos, percebeu algo que a maioria dos aprovados descobre tarde demais: facilidade não se traduz em aprovação.
“Eu sempre tive facilidade de aprendizado, mas percebi que isso, sozinho, não era suficiente. Eu precisava de direcionamento, planejamento e constância”, relembra.
Naide já havia prestado o ENAM quatro vezes. Cada tentativa trazia interrupções, ela começava a estudar, mas sem um planejamento adequado e tentando organizar tudo sozinha, acabava não conseguindo manter a preparação. A rotina do Ministério Público era exaustiva. As horas disponíveis para estudar eram poucas. E a sensação era sempre a mesma: falta de estratégia.
“Eu tinha facilidade para aprender, mas não conseguia transformar isso em uma preparação consistente. Depois de ingressar no Ministério Público, isso ficou ainda mais difícil”.
Foi então que em janeiro de 2025, após pesquisar qual seria o melhor curso para sua preparação, Naide encontrou o Magistrar. “O que mais me atraiu foi justamente a possibilidade de ter direcionamento e planejamento. Eu sabia que, sozinha, dificilmente conseguiria estruturar uma preparação adequada diante da minha rotina”, explica.
Ela se inscreveu na mentoria. Não buscava mais um curso genérico, buscava o que tinha lhe faltado todas essas tentativas anteriores: alguém que dissesse exatamente o que estudar, quando estudar, como medir sua evolução.

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Quando a vida interfere no cronograma
De janeiro de 2025 até junho de 2026, Naide deveria estudar para o ENAM 2026.1. Mas a vida tinha outros planos.
Diversas enfermidades na família apareceram, a rotina de trabalho continuava exaustiva e quando abriu o edital, seus pais ficaram novamente doentes. Naide era a única pessoa disponível para acompanhá-los, levá-los aos médicos, aos inúmeros exames. Em agosto, seu pai faleceu vítima de um câncer muito agressivo.
Ao mesmo tempo, ela precisava continuar trabalhando. E havia seu filho para cuidar, e criar um filho sozinha enquanto trabalha 8 horas por dia, enquanto estuda e resolvia as questões do pai. Tudo ao mesmo tempo.
Naide mudou sua estratégia de horários. Inicialmente, acordava às 4 da manhã para estudar. Depois, seu filho começou a acordar muito cedo e aquele horário não funcionava mais. Ela mudou os estudos para a noite — depois que ele dormia, estudava até não conseguir mais manter os olhos abertos.
“Eu procurava criar condições para cumprir o cronograma sem deixar de cuidar dele. Em alguns momentos, comprava Legos e instrumentos musicais para que ele pudesse ficar entretido enquanto eu estudava”.
Tinha poucas horas disponíveis. Mas sabia que cada hora de estudo precisava realmente valer a pena.
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A mentoria como bússola
Para Naide, a mentoria foi o divisor de águas. “O grande diferencial foi ter alguém fazendo o planejamento e o direcionamento que eu, sozinha, não conseguiria fazer diante da minha rotina”.
O material de lei seca disponibilizado pelo Magistrar também fez diferença porque a seleção dos artigos otimizava tempo, algo crítico quando você tem poucas horas. Os simulados permitiam acompanhar concretamente sua evolução e identificar os pontos que precisavam ser trabalhados.
Mas a verdadeira mudança veio da filosofia que Naide precisava aprender: “Eu não tinha condições de estudar dez horas por dia. Então precisava estudar melhor”.
Não era sobre quantidade. Era sobre qualidade. Era sobre constância mesmo quando a vida desaba ao seu redor.
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Simulados mostrando o caminho
A evolução nos simulados foi crucial para Naide. Ela vinha de uma realidade em que seus resultados oscilavam bastante, aquela incerteza própria de quem estuda sem direcionamento. Aos poucos, começou a perceber que estava conseguindo transformar o estudo em desempenho.
“E essa evolução foi muito importante para mim. Chegar à prova e obter 59 acertos em 80 questões foi muito significativo justamente por isso. Eu sabia que aquele resultado era fruto de um processo de evolução”.
Cada simulado com nota melhorando significava que a estratégia funcionava. Que, apesar de tudo, ela estava no caminho certo.

O dia da prova
No sábado anterior à prova, Naide deixou a manhã reservada para cuidar de seu filho. Depois do meio-dia, começou a assistir à revisão de véspera do Magistrar e estudou até concluir as 12 horas (aceleradas), por volta das 23h30.
No dia da prova, a rotina foi cuidadosa. “Tomei café da manhã com meu filho, tomei um banho demorado e fiz várias respirações profundas. Depois, orei e entreguei a Deus o resultado daquela prova e fui confiante”.
Ela ouviu Johann Sebastian Bach até o momento de entrar na sala. “Foi uma maneira de me manter tranquila e concentrada”.
Durante a prova, começou pelo final, porque Direito Penal é uma matéria em que se sentia mais segura. Ao longo da prova, também fez algumas pausas para respirar profundamente e recuperar a concentração.
O resultado: 59 acertos. Aprovada!
“Não era apenas a alegria de passar em uma prova. Era a sensação de que, apesar de todas as dificuldades e de uma rotina em que eu tinha pouquíssimas horas disponíveis, eu tinha conseguido”.
Conselhos
Se pudesse voltar no tempo, Naide teria um recado importante: “Não tente fazer tudo sozinha“.
“Eu perdi muito tempo tentando encontrar, por conta própria, uma forma de conciliar uma rotina extremamente exigente com a preparação para uma carreira tão difícil”.
Há também um aviso sobre uma ilusão comum: “Não confunda quantidade de horas com qualidade de estudo. Eu tinha poucas horas disponíveis. O que fez diferença foi aprender a utilizar essas horas com planejamento, estratégia e constância”. E um conselho talvez ainda mais importante: “Não desista quando as coisas não saírem como planejado. Às vezes precisamos mudar a estratégia, e não abandonar o objetivo”.
Para quem está iniciando agora, Naide é direta: “Tenha planejamento, seja constante e conheça os seus pontos fracos“. Para quem já tentou o ENAM e não conseguiu, ela rejeita a ideia de tempo perdido: “Não veja a tentativa anterior como tempo perdido. Use aquele resultado para entender o que precisa ser corrigido”.
E há ainda a verdade que aprendeu na pele: “Não acredite que é preciso ter uma rotina perfeita para conseguir. Eu trabalhava, cuidava do meu filho, precisava cuidar dos meus pais e, durante a preparação, enfrentei a doença e a subsequente perda do meu pai. Mesmo assim, consegui continuar”.
“Às vezes, você não precisa de mais horas. Precisa aproveitar melhor as horas que tem. E, principalmente, precisa continuar acreditando no seu objetivo mesmo quando a sua realidade não é a ideal. A minha realidade também não era. Mas eu continuei e estou vencendo”.
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Próxima etapa: a magistratura
A aprovação no ENAM 2026.1 não é o ponto final para Naide. É mais uma etapa de uma trajetória que começou quando ingressou no Ministério Público e que agora segue em direção às provas da Magistratura.
Ela pretende continuar estudando até conquistar a aprovação definitiva na carreira. Assim, a jornada iniciada após múltiplas tentativas — entre tropeços e a constante sensação de que faltava algo, agora segue com uma bússola clara: direcionamento.
“O Magistrar foi e continua sendo fundamental porque me deu justamente aquilo que eu não conseguia construir sozinha: planejamento e direcionamento. Eu aprendi que não basta estudar muitas horas. É preciso estudar de forma estratégica e manter constância”.


