Aos 45 anos, Ilca Gonçalves Saúde Costa, de Teixeira de Freitas, na Bahia, viveu uma trajetória marcada por recomeços até chegar à aprovação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM).
Formada inicialmente em Matemática, ela conta que o Direito já fazia parte de seus planos desde a juventude, mas as condições financeiras e a ausência do curso em sua cidade impediram que o sonho fosse realizado naquele momento.
A mudança começou em 2011, quando Ilca ingressou no Tribunal de Justiça da Bahia. Foi justamente a experiência no Judiciário que reacendeu o desejo de cursar Direito.
“Foi quando eu acendi a minha chama de fazer o curso de direito”, declarou.
Em 2014, ela finalmente iniciou a graduação em uma faculdade particular de sua cidade. Porém, a caminhada seria interrompida por uma série de acontecimentos familiares.
Uma pausa que durou seis anos
Em 2015, durante a graduação, Ilca engravidou de sua segunda filha, que nasceu prematura no início de 2016. Diante da necessidade de dedicar-se à família, ela trancou a faculdade com a intenção de retornar no semestre seguinte.
Mas, naquele mesmo período, sua mãe foi diagnosticada com câncer em estágio avançado. Ilca decidiu adiar novamente o retorno aos estudos. Enquanto acompanhava o tratamento da mãe, engravidou de seu terceiro filho, em 2017.
No ano seguinte, veio uma das maiores perdas de sua vida: sua mãe faleceu, quando o filho ainda era bebê.
Sem condições emocionais para retomar a graduação, Ilca permaneceu afastada do curso durante anos. A pandemia também passou a fazer parte desse período, até que, no final de 2021, ela decidiu que era hora de voltar.
“Não tinha ânimo para voltar, o curso que eu tinha trancado desde o início de 2016”, afirmou.
No início de 2022, procurou novamente a faculdade e conseguiu retornar. Depois de seis anos com a matrícula trancada, retomou a graduação conciliando trabalho, filhos e família.
“Reiniciei, com muita dificuldade, tendo em vista trabalho, filhos, família”, contou.
Apesar dos obstáculos, Ilca conseguiu concluir o curso no final de 2024.
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Aprovação na OAB logo na primeira tentativa
Ainda durante a graduação, Ilca deu outro passo importante. No início de 2024, quando estava no nono semestre, prestou o Exame da OAB pela primeira vez.
O resultado veio com aprovação tanto na primeira quanto na segunda fase.
A conquista antecedeu a conclusão da graduação e tornou a colação de grau, no final de 2024, ainda mais especial para Ilca e sua família.
“Foi para mim uma alegria muito grande, para a minha família.”
Depois da formatura, um novo objetivo começou a ganhar força: a Magistratura.
“Daí acendeu a chama de fazer concurso para magistratura”, ressaltou.
Do primeiro resultado no ENAM a uma nova chance
Ilca iniciou a preparação para o ENAM no final de 2025, mirando a quarta edição do exame. Naquele momento, estudava por uma plataforma que já havia utilizado durante sua preparação para a OAB.
Apesar da dedicação, o resultado não foi o esperado: foram 38 acertos no ENAM IV.
O desempenho, porém, não fez com que ela abandonasse o objetivo.
“Não, mas eu vou continuar estudando, é meu propósito”, destacou.
A partir dali, Ilca decidiu continuar a preparação e buscar novas estratégias para a próxima edição.
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“Eu gostei muito do curso”: o encontro com o Magistrar
No início de 2026, Ilca conheceu o Magistrar por meio das aulas de leitura da Lei Seca conduzidas pela professora Isadora Lazaretti. Ao mesmo tempo, uma amiga também comentou sobre o material da plataforma.
Ela passou a acompanhar as aulas e as imersões oferecidas pelo Magistrar. A experiência despertou seu interesse pela metodologia e pela organização da plataforma.

No início de 2026, Ilca conheceu o Magistrar por meio das aulas de leitura da Lei Seca conduzidas pela professora Isadora Lazaretti. Ao mesmo tempo, uma amiga também comentou sobre o material da plataforma.
Ela passou a acompanhar as aulas e as imersões oferecidas pelo Magistrar. A experiência despertou seu interesse pela metodologia e pela organização da plataforma.
“Eu gostei muito do curso, das coisas que eles apresentaram.”
Em abril, aproximadamente, Ilca adquiriu a plataforma e passou a concentrar sua preparação no material do Magistrar, acompanhando as leituras da Lei Seca e os intensivos realizados aos sábados.
A mudança veio acompanhada de um novo resultado no ENAM.
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De 38 para 51 acertos
Na segunda prova, Ilca alcançou 51 pontos — 13 acertos a mais em relação ao seu primeiro resultado.
A evolução representou não apenas uma melhora na pontuação, mas também a confirmação de que a estratégia adotada estava produzindo resultados.
“Fiz uma prova melhor, acertei 51 questões, eu achei que foi, assim, um sucesso”, afirmou.
A aprovação veio na condição de candidata negra/parda, pelas cotas.
Trabalho, família e o próximo objetivo
Mesmo após a aprovação no ENAM, Ilca continua estudando. Aos 45 anos, segue trabalhando no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ BA) e precisa dividir o tempo entre a preparação, os filhos, a família e as responsabilidades profissionais.
Ela reconhece que nem sempre consegue manter o ritmo de estudos que gostaria, mas afirma que o objetivo permanece definido: conquistar uma vaga na Magistratura.
“Às vezes não consigo um ritmo tão adequado, porque tenho filhos, família, e também trabalho.”
A trajetória, que começou com um sonho adiado na juventude, passou por uma graduação interrompida, uma perda familiar e um retorno aos estudos depois de seis anos, agora entra em uma nova fase.
Para Ilca, a aprovação no ENAM é mais um passo em direção ao objetivo que passou a perseguir depois da formação em Direito.
“O meu foco é fazer concurso para magistratura, se Deus quiser, eu vou passar, assim eu confio”.


