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Após 7 anos sem estudar, aluna é aprovada no ENAM com apenas 3 meses de preparação

Assessora de juíza no Amapá retomou os concursos quando a filha completou 3 anos e descobriu que não tinha esquecido nada, só precisava recomeçar

Estudar para concurso público é uma maratona, todo mundo sabe. Mas nem sempre a maratona continua. Às vezes, a gente para, respira, dá um tempo. E, quando essa pausa dura sete anos, a volta não é apenas sobre retomar os livros. É sobre retomar a si mesma.

Ana Karolyne Araújo Durans, 34 anos, mora em Barra do Corda, no interior do Maranhão. Aos 19, saiu de lá para fazer cursinho na capital. Passou em uma universidade pública, formou-se em Direito e saiu da faculdade decidida: dedicou três anos exclusivamente aos concursos, sem trabalhar. O sonho era a AGU. Mas concurso é assim, nem sempre dá. Ela não avançou em nenhuma primeira fase. O que veio, então, foi diferente: oficial de justiça e técnica do TRF1. Não era o plano, mas era base, estabilidade e futuro.

Trabalhou como assessora no TJ do Maranhão por quatro anos. Depois, quando foi chamada no TRF1, virou oficiala de gabinete, assessorando uma juíza. A subseção é em Oiapoque, no Amapá. E então veio a filha e, com ela, veio também a distância dos livros. Os planos de fazer magistratura, seja pelos concursos tradicionais ou pelo futuro ENAM, pareciam cada vez mais distantes.

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“Depois que eu tive filho, os planos de concurso não me pareciam mais uma realidade na minha vida”, conta em entrevista à equipe de jornalismo do Magistrar. Estava satisfeita, a rotina era boa, trabalho remoto. Os concursos viraram passado. Ou, pelo menos, era isso que ela acreditava.

Sete anos se passaram. A última vez que Ana Karolyne tinha pegado em um livro de concurso foi antes da pandemia. Ela já não contava mais com isso, depois de tantos anos, você descarta a possibilidade. O tempo passa de um jeito específico quando você desiste: perde a urgência, perde a identidade de candidato, perde até a esperança. Virou mãe, virou servidora pública, virou outra pessoa. A moça que estudava 12 horas por dia? Aquela parecia existir em outra vida.

Mas as crianças crescem. E, quando a filha completou 3 anos, algo começou a se mexer por dentro. Não era mais a demanda constante de cuidado, havia espaço, tempo de novo. E, nesse tempo esquecido, veio uma inquietação. Ela olhava para o trabalho na judicatura e pensava: “Eu gosto disso. Gosto das matérias, gosto do trabalho. Mas como juíza, assinando decisões. Não como assessora”.

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A magistratura voltou a fazer sentido

A magistratura federal deixou de ser impossível e voltou a ser desejo. Só havia um problema: ela não sabia por onde começar. Não tinha cursinho na cabeça, não tinha cronograma. Havia apenas a sensação de que precisava recuperar sete anos de leitura.

Uma semana antes de decidir voltar a estudar, a filha já tinha 3 anos. Uma semana depois de tomar a decisão, saiu o edital do ENAM. Ela nem sabia o que era. Perguntou ao marido, que respondeu que aquele era o novo procedimento. “Meu Deus, o que é o ENAM?” Ela foi ao Google. Assistiu a vídeos no YouTube. E então encontrou o professor Alexandre Piovesan.

“Gostei muito da energia dele. Ele passa credibilidade, passa confiança. Parece realmente se importar com os alunos”, explica. A decisão foi essa: apostaria em um professor que nunca tinha visto, em um cursinho que não conhecia, em um método que ainda não dominava. Mas ele transmitia confiança. E Ana Karolyne precisava disso.

Assinou o ENAM Reta Final, do Magistrar. E aí sua história mudou.

O sonho cada vez mais próximo

Ela não seguiu o cronograma cegamente. Não fez as lições da semana como se fossem lei. Em vez disso, fez algo mais radical: entendeu em que fase estava. Eram os últimos meses antes da prova. Não era hora de construir uma base do zero, ela tinha passado sete anos trabalhando com lei, doutrina e jurisprudência. Minutava processos. Estava perto da magistratura o tempo inteiro. O conhecimento não tinha desaparecido. Só estava adormecido.

Então, ajustou a rota. Fez o primeiro simulado do Magistrar e acertou 30 questões. Depois de sete anos parada: 30 acertos no primeiro simulado. Olhou para o resultado e pensou: “Estou mais perto do que eu imaginava”.

A partir dali, virou rotina semanal. Simulado toda semana, por três meses. Depois, corrigia. Identificava os blocos em que errava mais, processo penal, direito penal, o que realmente tinha esquecido. E então ia ao curso do Magistra, mas sem seguir as aulas sugeridas: buscava as questões específicas do que estava pior.

“Eu percebi que, a cada simulado, eu ia aumentando a pontuação”, diz. De 30 para 50. Depois 52. 53. 54. 55. E, na prova do ENAM, 53 questões.

Três meses. De 30 para 53. Depois de sete anos parada.

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O que os números não dizem

Mas Ana Karolyne quer dividir algo mais importante do que números. Quer falar sobre como você descobre em que fase está. Porque muita gente que sai da faculdade pensa: “Preciso montar base do zero”. E, às vezes, precisa. Muita gente que volta depois de muito tempo pensa: “Perdi tudo”. E não é verdade. O Direito entrou em você quando você estudou. Ficou adormecido, mas está lá.

“Você tem que perceber em que fase você está”, enfatiza. “Eu percebi que precisava entender a minha realidade. Em qual matéria eu sou pior, em qual eu sou melhor. Que assuntos são realmente cobrados. Tudo é uma aposta. Mas você precisa confiar no seu método e testar”.

E há algo prático que ela não quer que ninguém ignore: focar no que mais cai. “Ninguém passa em concurso acertando 100%. Você precisa focar em acertar o número de questões necessário. O Direito é um mundo muito grande. Qualquer edital é gigante. Você precisa de um filtro. E as questões te dão esse filtro”.

Ana Karolyne percebeu que havia sete anos de prática jurídica dentro dela e que bastavam três meses de lapidação. Foi confiar no método e entender que voltar não é desistir do passado, é seguir daquele ponto, só que diferente.

Hoje, ela trabalha como assessora de juíza no TRF1, do interior do Maranhão, enquanto aguarda ser chamada para a magistratura federal. E, para quem quer fazer o mesmo: você não é a pessoa que parou há sete anos. Você é a pessoa que nunca parou de trabalhar com o Direito, mesmo longe dos simulados. O cronograma não precisa mandar em você. A sua realidade é.

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