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Como 15 anos de estudo e um sonho de infância se transformaram em aprovação no ENAM

Advogado viu o pai estudar para a magistratura aos 10 anos, desde então, não parou de lutar

Denner Augusto Rosa Batista, 28 anos, foi aprovado no ENAM 2026.1 com 57 acertos. Entretanto, sua história começou muito antes da inscrição no Exame Nacional da Magistratura.

A trajetória de Denner não é a de alguém que decidiu da noite pro dia, é a de quem carregou um sonho por 15 anos, desde 2011, quando ainda estava na faculdade. Hoje advogado, ele vive a confirmação de uma promessa que fez a si mesmo quando era apenas uma criança fascinada pela figura do pai estudando para a magistratura.

“Ser juiz sempre foi um sonho que nasceu antes mesmo de eu entender o tamanho desse desafio. Quando criança, via meu pai estudando para a magistratura, e aquelas cenas ficaram gravadas na minha memória”, conta.

Denner tinha cerca de 10 anos quando viu o pai entre livros, anotações e a rotina de quem persegue a carreira judicial. Naquele momento, ainda sem compreender totalmente o significado daquilo, algo se firmou por dentro: um dia, também seria juiz. Uma criança olhando para um pai estudante, e uma lembrança que atravessaria os anos.

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Procrastinação e o preço de não ter foco

Ao entrar na faculdade de Direito, em 2011, Denner transformou o sonho de criança em objetivo. Mas havia um obstáculo central: a falta de direção.

“Cometi um erro que muitos cometem: procrastinei. Sempre pensei que teria tempo suficiente para recuperar o que deixava para depois”, admite.

Os anos passaram, com eles, a juventude e a sensação de que o cenário ideal ainda viria. Só que o cenário ideal nunca chegou.

Durante mais de uma década, Denner estudou para o que surgia. Cada edital aberto virava um novo rumo, um novo curso, um foco temporário. “Eu estudava para aquilo que aparecia, em vez de construir uma preparação sólida para uma carreira específica”, diz.

Foram Tribunais, concursos municipais, Procuradorias, sempre chegando perto, sempre com boas notas, mas sem cruzar a linha de chegada. Aos poucos, as tentativas foram deixando um aprendizado insistente: foco é tudo.

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Paternidade, rotina caótica e a necessidade de recomeçar

Em 2022, a vida mudou de vez: Denner se tornou pai. “Meu coração transbordava de alegria, mas minha rotina mudou completamente”, lembra. A experiência veio acompanhada de uma realidade concreta: estudar passou a exigir muito mais energia e organização.

Dois anos depois, em 2024, a esposa iniciou a residência médica, 60 horas semanais que consumiam tempo, disposição e presença. Sem recursos para contratar uma babá, Denner tomou uma decisão difícil: assumiria a maior parte dos cuidados com a filha. Os estudos ficaram em segundo plano. De novo.

Mas, desta vez, havia algo diferente. Denner sabia que aquela fase passaria. E, principalmente, sentia que tinha aprendido uma verdade ignorada por 15 anos:

“Foco é uma das maiores vantagens competitivas de quem estuda para concurso”.

Foi nesse período, já sem a orientação que tinha por questões financeiras, que surgiu a chance de fazer o ENAM 2025.2. Denner tentou e não passou. Ou, pelo menos, foi assim que pareceu naquele momento.

O resultado do ENAM 2025.2 chegou como um golpe: 42 acertos. Denner ficou abatido. “Confesso que fiquei muito abalado. Eu vinha evoluindo nos concursos de Procuradorias e não conseguia entender como tinha ido tão mal no ENAM”, conta.

Com o tempo, porém, a “derrota” se revelou uma lição. O ENAM não era como os outros concursos. A FGV tem uma lógica própria, quase estrangeira para quem vinha estudando outras bancas.

“Em vez de enxergar aquele resultado como um fracasso, passei a vê-lo como um diagnóstico”, diz.

Foi então que, em meio à sensação de desconhecimento, Denner pediu a Deus que lhe mostrasse um caminho. No dia seguinte, ao voltar às redes sociais, viu uma publicação do professor Alexandre Piovesan convidando para uma live voltada justamente a quem não havia sido aprovado no ENAM. Para Denner, não foi coincidência. Foi resposta.

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Sete meses, um método e a constância que transforma

De outubro de 2025 a junho de 2026, Denner viveu uma rotina que poucos conseguem sustentar. Acordava às 4h da manhã para estudar antes do trabalho. Eram 3 horas por dia durante a semana e até 8 horas nos fins de semana.

Usou o Cérebro Magistrar, e, finalmente, o quebra-cabeça começou a fazer sentido. Mas o diferencial não foi apenas o conteúdo, foi o método: um cronograma personalizado, elaborado pelo professor Alexandre, indicando exatamente o que estudar em cada dia.

Os simulados do Magistrar se tornaram espelho e termômetro. De uma semana para outra, pouco mudava. Mas, de um mês para o seguinte, a evolução ficava nítida: 50, 55, 58 pontos. Denner começava a compreender a lógica da FGV, o mesmo jeito peculiar de cobrar que o derrubara meses antes.

“A evolução não acontece de forma imediata. Ela é consequência da constância, da disciplina e da dedicação diária”, afirma.

No dia da prova, com 15 anos de sonho pesando nos ombros, ele já tinha treinado centenas de vezes. Lembrou da frase do professor Clóvis de Barros: “o aluno não pode desistir da prova enquanto ela ainda estiver acontecendo”. Respirou, seguiu, entregou.

Resultado: 57 acertos. Aprovado. Quinze pontos a mais do que na tentativa anterior, e muito mais do que um número: a diferença entre dispersão e estratégia, entre esperança vaga e método, entre 15 anos de adiamento e 7 meses de dedicação real.

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A aprovação é construída todos os dias

Ao olhar para trás, Denner não enxerga apenas um aprovado no ENAM. Enxerga a criança que viu o pai estudar; a pessoa que passou 15 anos se perdendo em focos errados; o pai que fez escolhas difíceis sem abandonar o sonho; e, por fim, o candidato que entendeu, na prática, que “a aprovação não acontece em um único dia: ela é construída diariamente — em cada hora de estudo, em cada revisão, em cada questão resolvida e em cada decisão de continuar, mesmo quando tudo parece difícil”.

Para quem está começando agora, para quem já tentou o ENAM várias vezes ou para quem sente que perdeu tempo, Denner deixa uma mensagem direta: não desista. Acredite na constância. Escolha com cuidado quem caminhará ao seu lado. Acordar cedo dói, mas os resultados compensam.

A aprovação virá — porque você só precisa ser aprovado uma vez. E o seu nome também pode estar na próxima lista. Afinal, se um menino que viu o pai estudar conseguiu carregar esse sonho por 15 anos e, enfim, realizá-lo, por que você não conseguiria?

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