A aprovação no Exame Nacional da Magistratura (ENAM) marcou uma nova etapa na trajetória de Simone Rabello Louback, 51 anos. Advogada e mãe, ela conquistou 59 acertos na prova e transformou anos de dificuldades, pausas nos estudos e recomeços em combustível para seguir em busca do sonho de se tornar magistrada.
A história de Simone é marcada pela persistência. Criada em uma família simples, ela estudou em escola pública no Rio de Janeiro e começou a trabalhar ainda aos 14 anos. Naquela época, não tinha informações sobre a necessidade de prestar vestibular para continuar os estudos, e sua família também não possuía referências acadêmicas que pudessem orientá-la.
“Sempre tive dificuldade de estudo. Comecei meus estudos no colégio público”, relembra.
Após concluir o ensino médio técnico em Contabilidade, Simone começou a trabalhar. Aos 18 anos, tornou-se mãe pela primeira vez e, aos 20, teve a segunda filha. Depois da separação do pai das crianças, criou as filhas sozinha e passou a trabalhar ainda mais para proporcionar a elas oportunidades que ela própria não teve.
Foi somente aos 30 anos que decidiu retomar os estudos e ingressar no ensino superior.

Eu abracei essa ideia das minhas filhas comigo e sempre procurei dar para elas aquilo que eu não tive, né? Então, trabalhava muito para poder dar um estudo particular para elas. E foi assim até eu completar 30 anos. Quando eu fiz 30 anos, e minhas filhas já estavam maiores, eu resolvi entrar para faculdade.
Faculdade de Direito veio aos 30 anos
Na época, Simone trabalhava como vendedora de carros e recebeu da concessionária uma ajuda de custo para pagar a faculdade. Entre as opções disponíveis, escolheu o curso de Direito.
A graduação foi conciliada com trabalho e maternidade. Enquanto trabalhava durante o dia e estudava à noite, as duas filhas ainda eram crianças.
Depois da faculdade, veio outro desafio: a OAB. Simone foi aprovada na segunda tentativa. Na primeira prova, havia conseguido aprovação na etapa objetiva, mas não avançou na fase discursiva.
A aprovação, porém, não significou o fim dos estudos. Pelo contrário. Simone passou a buscar cursos preparatórios e, em 2013, chegou a estudar em instituições voltadas à preparação para carreiras jurídicas.
Em 2017, retomou novamente a preparação, dessa vez com o objetivo de prestar o concurso para Delegado da Polícia Federal. Estudou para a seleção, mas acabou perdendo o prazo de inscrição e não chegou a realizar a prova.
Mais uma vez, interrompeu os estudos.
Leia também: ENAM 2026.2: inscrições abertas; veja prazo, taxa e como se inscrever
O recomeço veio pelo YouTube
Anos depois, em meio a mudanças pessoais, Simone decidiu que precisava fazer algo diferente e voltou a estudar.
O primeiro passo foi buscar aulas gratuitas no YouTube. Em outubro, começou uma nova rotina de preparação e, pouco tempo depois, decidiu se inscrever em concursos para Analista da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e para Analista do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ RJ).
Mesmo estudando de forma independente, conseguiu um resultado que renovou sua confiança: foi aprovada nas duas provas.
“Eu fiquei muito feliz. Eu falei: ‘Poxa, que legal’”, conta.
Ao mesmo tempo, Simone começou a acompanhar os conteúdos do Magistrar pelas aulas disponíveis no YouTube. A experiência despertou seu interesse pela preparação voltada à Magistratura.
Preparação para o ENAM começou em fevereiro
Depois das provas de Analista, Simone decidiu encarar um novo desafio: o ENAM.
No final de fevereiro, ingressou no Reta Final ENAM do Magistrar e começou a intensificar os estudos. Pouco depois, migrou para o Magistrar Black, passando a ter acesso a uma preparação mais completa, incluindo aulas, simulados e ferramentas de estudo.
Um dos recursos que mais contribuíram para sua preparação foi o Cérebro, plataforma de estudos do Magistrar.
Simone também destaca as aulas de imersão, os simulados, o estudo da legislação e a revisão de véspera como elementos fundamentais para sua preparação.
“Eu me senti muito melhor, mais confiante”, afirma.
A rotina foi intensa. Mesmo tendo ficado anos afastada dos estudos, Simone passou a dedicar cerca de oito horas por dia à preparação, inclusive aos sábados e domingos, seguindo o cronograma do Reta Final ENAM.

“Eu vou passar”
A confiança construída durante a preparação foi decisiva para Simone.
Na véspera da prova, ela conta que foi dormir com a sensação de que já havia conseguido a aprovação.
“No sábado antes da prova, eu fui dormir com uma sensação de que eu já tinha passado.”
No dia do exame, manteve a mesma convicção.
O resultado confirmou o esforço: 59 acertos no ENAM 2026.1 e a tão sonhada habilitação para seguir avançando na trajetória rumo à Magistratura.
Para Simone, a conquista representa muito mais do que uma pontuação.
Aos 51 anos, depois de começar a trabalhar aos 14, tornar-se mãe ainda jovem, criar duas filhas, cursar Direito conciliando trabalho e maternidade e enfrentar sucessivas interrupções nos estudos, ela conseguiu retornar ao projeto de uma carreira jurídica.
“Hoje eu estou com 51 anos e estudando para ser magistrada. Isso me deixa muito feliz, me dá uma sensação de realização.”
Leia também: Matérias ENAM 2026.2: o que cai na prova e como estudar para 80 questões
Próximo objetivo: Magistratura
A aprovação no ENAM não encerrou a jornada de Simone. Pelo contrário: abriu uma nova fase.
Agora, ela está na Mentoria da Magistratura do Trabalho do Magistrar e mantém o foco na preparação para os próximos passos da carreira.
Com a expectativa de que ainda demore para sair o edital do concurso que pretende prestar, Simone chegou a consultar o professor Alexandre sobre a possibilidade de aproveitar o intervalo para realizar outras provas, como a da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPE RJ).
A orientação foi aproveitar as oportunidades, mas sem perder o foco no objetivo principal e no cronograma de estudos.
Para Simone, esse equilíbrio será importante para continuar avançando sem repetir os períodos de interrupção que marcaram sua trajetória.

Uma história de recomeços
A aprovação no ENAM 2026.1 mostra que a trajetória até a Magistratura não precisa seguir um caminho linear.
Simone começou a trabalhar ainda adolescente, teve as filhas muito jovem, demorou para chegar à faculdade, conciliou trabalho e maternidade durante a graduação, passou pela OAB, interrompeu os estudos diversas vezes e voltou aos livros anos depois.
Quando decidiu recomeçar, encontrou no estudo uma nova oportunidade.
Aos 51 anos, os 59 acertos no ENAM representam não apenas uma aprovação, mas a confirmação de que ainda era possível transformar um sonho antigo em projeto de vida.
E, para Simone, essa história ainda está apenas começando.
Leia também: Cronograma ENAM 2026.2: guia completo com datas e prazos


