O 192º Concurso do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ SP) para Juiz Substituto oferece 220 vagas, mas o número de candidatos que permanecem na disputa já está abaixo das oportunidades previstas no edital. Após a divulgação do resultado da prova prática de sentença, apenas 134 concorrentes foram habilitados para continuar no certame.
O dado chama atenção principalmente porque a seleção começou com cerca de 7,1 mil inscritos. Agora, mesmo que todos os candidatos que seguem na disputa sejam aprovados nas próximas etapas, o concurso já não possui concorrentes suficientes para preencher as 220 vagas inicialmente ofertadas.
Quantos candidatos seguem no concurso TJ SP Juiz?
Na prova objetiva seletiva do concurso (primeira etapa), 1.743 candidatos foram classificados. Desse total, 195 foram habilitados na primeira prova escrita, composta por uma dissertação e questões discursivas.
Somente os candidatos aprovados nessa fase tiveram as provas práticas de sentença cível e criminal corrigidas. Após a avaliação, 134 concorrentes foram habilitados para continuar no concurso.
Confira como o número de candidatos diminuiu ao longo das etapas:
- Inscritos: cerca de 7,1 mil
- Classificados na prova objetiva: 1.743
- Habilitados na prova discursiva: 195
- Habilitados na prova de sentença: 134
- Vagas previstas no edital: 220
Os 134 candidatos que seguem na disputa representam menos de 2% do total de inscritos no início da seleção.
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O que acontece quando há menos candidatos do que vagas?
O fato de o concurso oferecer 220 vagas não significa que o TJ SP será obrigado a aprovar ou nomear exatamente esse número de candidatos. Para tomar posse, os concorrentes ainda precisam ser aprovados em todas as etapas restantes do certame.
No caso do TJ SP, ainda não é correto afirmar que existem 86 vagas “sobrando”, já que o concurso segue em andamento e os 134 candidatos habilitados ainda passarão por inscrição definitiva, investigação social, exames, prova oral e avaliação de títulos. Caso o número final de aprovados seja inferior ao total de vagas, apenas os candidatos considerados aptos poderão ser nomeados.
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Por que a prova de sentença elimina tantos candidatos?
Para o Juiz e Coordenador Pedagógico do Magistrar, Alexandre Piovesan, a prova de sentença é a etapa que mais costuma eliminar candidatos porque muitos concorrentes se preparam para provas objetivas e discursivas, mas não treinam a elaboração de decisões judiciais.
“A prova de sentença não chega a ser, em si, a etapa mais difícil do concurso, mas é a etapa que costuma reprovar mais. Isso acontece porque normalmente não treinamos para a prova de sentença”, explica.
De acordo com o professor, a falta de prática faz com que muitos candidatos dominem o conteúdo jurídico, mas tenham dificuldade em estruturar a sentença, aplicar a técnica redacional exigida e administrar o tempo de prova. Por isso, a etapa acaba se tornando o principal funil dos concursos para a magistratura.
Como organizar a sentença durante a prova?
Uma das estratégias recomendadas pelo professor é não começar imediatamente a redação do texto definitivo. O candidato deve primeiro elaborar um rascunho com os tópicos que precisam ser analisados, organizando a estrutura da sentença antes de desenvolver a fundamentação.
Essa organização prévia reduz o risco de esquecer questões importantes, abordar os assuntos em uma ordem inadequada ou perceber, já no final da prova, que determinados fundamentos ainda não foram analisados.
O treino também permite que o candidato desenvolva um método próprio para ler o enunciado, separar as preliminares, identificar as questões de mérito e estruturar o dispositivo.
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