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Concurso AGU: qual a diferença entre as 4 carreiras?

Advogado da União, Procurador Federal, PFN e Procurador do Bacen possuem áreas de atuação distintas; novo concurso prevê 170 vagas

O novo concurso da Advocacia-Geral da União (AGU) contempla quatro carreiras jurídicas: Advogado da União, Procurador Federal, Procurador da Fazenda Nacional e Procurador do Banco Central. Embora os cargos tenham remunerações equivalentes e compartilhem uma base jurídica semelhante, a atuação profissional muda de acordo com o órgão ou entidade representada e com a matéria envolvida.

Em entrevista ao Magistrar, o Procurador Federal e professor Leonardo Lagos explicou as principais diferenças entre as quatro carreiras e como a escolha pode variar conforme o perfil profissional do candidato.

A distinção ganha ainda mais importância no próximo concurso. Pelo novo modelo aprovado pela AGU, os candidatos habilitados no Exame Nacional da Advocacia Pública (ENAP) poderão realizar as provas objetivas das quatro carreiras e deverão escolher em qual delas continuar antes das provas discursivas.

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Veja também: ENAP vai substituir o concurso da AGU? Entenda o novo modelo

Qual a diferença entre as quatro carreiras da AGU?

A principal diferença está em quem cada carreira representa e em qual área jurídica atua.

De forma resumida, o Advogado da União representa a Administração Pública Federal direta; o Procurador Federal atua junto às autarquias e fundações públicas federais; o Procurador da Fazenda Nacional possui foco fiscal e tributário; e o Procurador do Banco Central trabalha exclusivamente nas demandas relacionadas à autarquia.

O que faz um Advogado da União?

O Advogado da União atua na representação judicial e extrajudicial da União e de seus órgãos, ou seja, está ligado principalmente à Administração Pública Federal direta. Na prática, pode trabalhar tanto no contencioso quanto no consultivo, envolvendo órgãos como ministérios e as Forças Armadas.

Por isso, a carreira tende a ter forte presença em atividades de assessoramento e consultoria jurídica dentro do Poder Executivo Federal.

Segundo Leonardo Lagos, para quem tem maior interesse pela atuação consultiva, o cargo de Advogado da União pode oferecer mais oportunidades nessa área desde o início da carreira.

O que faz um Procurador Federal?

O Procurador Federal atua na representação e na consultoria jurídica de autarquias e fundações públicas federais, integrantes da Administração Pública indireta.

A carreira atende uma grande variedade de entidades, como INSS, Ibama, Incra, universidades e institutos federais, além de agências reguladoras, entre elas Anatel, Anvisa, ANAC e ANTT.

Essa diversidade faz com que a atuação do Procurador Federal seja bastante ampla, podendo envolver desde questões previdenciárias e ambientais até matérias regulatórias, educacionais e agrárias.

O próprio conteúdo dos concursos costuma refletir essa variedade. De acordo com Lagos, historicamente, Procurador Federal está entre as carreiras com maior quantidade de disciplinas cobradas.

O que faz um Procurador da Fazenda Nacional?

O Procurador da Fazenda Nacional (PFN) possui atuação voltada principalmente à área fiscal e tributária da União.

Entre suas atribuições estão a representação da União em questões tributárias, a defesa do crédito público e atividades de consultoria jurídica no âmbito do Ministério da Fazenda.

Em termos práticos, é uma carreira especialmente ligada a temas como Direito Tributário, Direito Financeiro e cobrança da dívida ativa da União.

A atuação também pode envolver tanto o contencioso quanto atividades consultivas. O próprio conteúdo programático dos concursos costuma dar maior peso às matérias relacionadas à área fiscal.

O que faz um Procurador do Banco Central?

O Procurador do Banco Central atua exclusivamente na representação e na consultoria jurídica do Banco Central do Brasil (Bacen).

Embora o Banco Central seja uma autarquia federal, existe uma carreira jurídica própria devido às características específicas de sua atuação.

Por isso, o cargo possui forte ligação com temas relacionados ao Direito Econômico, sistema financeiro e regulação bancária, além de outras matérias jurídicas necessárias à representação do Bacen.

No último concurso, por exemplo, Direito Econômico integrou o primeiro grupo de disciplinas da prova objetiva, ao lado de Constitucional, Administrativo, Financeiro e Tributário.

Qual carreira da AGU combina com cada perfil?

Além do órgão representado, a escolha pode considerar o tipo de trabalho que o candidato pretende exercer.

Segundo Leonardo Lagos, quem prefere uma atuação mais consultiva pode se identificar com o cargo de Advogado da União, enquanto Procurador Federal e Procurador da Fazenda Nacional apresentam amplas possibilidades de atuação no contencioso.

Isso não significa, porém, que as carreiras sejam limitadas a uma dessas áreas. Procuradores Federais e da Fazenda também podem exercer atividades consultivas ao longo da trajetória profissional.

Já o Procurador do Banco Central possui um perfil mais especializado, voltado às matérias relacionadas às atribuições da própria autarquia.

Veja mais: Concurso AGU Unificado 2026: guia completo; serão 170 vagas

O salário é o mesmo nas quatro carreiras?

Sim. Apesar das diferenças de atribuições, as carreiras possuem a mesma estrutura de subsídios.

Em 2026, o subsídio inicial é de R$ 27.264,30, correspondente à classe ou categoria inicial. No topo da carreira, o valor chega a R$ 35.423,96.

Os valores atuais são:

  • Classe/categoria inicial: R$ 27.264,30
  • Primeira Classe/categoria: R$ 31.327,92
  • Classe/categoria Especial: R$ 35.423,96

As carreiras possuem ritmos próprios de progressão, mas os valores dos subsídios são equivalentes.

O que é exigido para ingressar nas carreiras?

Os requisitos definitivos serão estabelecidos nos próximos editais, mas as seleções anteriores tiveram exigências semelhantes entre as quatro carreiras.

Entre os principais requisitos estavam diploma de bacharel em Direito, inscrição regular na OAB e comprovação mínima de dois anos de prática forense.

Para os próximos concursos, haverá ainda uma novidade: a habilitação no ENAP, que será uma etapa prévia e eliminatória para ingresso nas quatro carreiras.

Leia também: Concurso AGU: quem pode participar? Veja os requisitos das carreiras

Novo concurso AGU terá 170 vagas

Atualmente, estão autorizadas 170 vagas, distribuídas da seguinte forma:

  • 50 vagas para Advogado da União
  • 50 vagas para Procurador Federal
  • 50 vagas para Procurador da Fazenda Nacional
  • 20 vagas para Procurador do Banco Central

Em 4 de setembro de 2026, o Conselho Superior da AGU aprovou a nova modelagem dos concursos. O processo começará pelo ENAP, de caráter eliminatório. A nota do ENAP não será utilizada para a classificação final.

Depois da habilitação, o candidato poderá realizar as provas objetivas das quatro carreiras mediante uma única taxa de inscrição. A escolha de qual carreira seguir será feita antes das provas discursivas. Também está previsto um curso de formação eliminatório específico para cada cargo.

A AGU informou que os concursos das quatro carreiras têm previsão de abertura ainda em 2026, mas datas de inscrições e provas ainda não foram divulgadas.

Assim, para quem pretende participar da seleção, conhecer as atribuições de cada cargo pode ajudar não apenas na escolha da carreira, mas também no direcionamento da preparação para as etapas específicas que virão após as provas objetivas.

Veja mais: Concurso AGU: o que estudar? Veja quais disciplinas priorizar para cada carreira

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