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Quanto ganha quem passa em concurso de cartório? Entenda como funciona a remuneração da carreira

Diferentemente da maioria dos concursos públicos, aprovados em cartórios não recebem salário fixo

Os concursos de cartórios estão entre os mais concorridos do país. Além da estabilidade e do prestígio da carreira jurídica, um dos principais fatores que despertam o interesse dos candidatos é o potencial de remuneração, frequentemente apontado como um dos mais altos do serviço delegado brasileiro.

Apesar disso, existe uma dúvida muito comum entre os concurseiros: afinal, quanto ganha quem passa em um concurso de cartório?

A resposta é diferente da encontrada na maioria dos concursos públicos. Ao contrário de carreiras como Auditor Fiscal, Procurador ou Delegado, o titular de cartório não recebe um salário mensal fixo definido em lei ou previsto no edital.

Isso acontece porque, após a aprovação, o candidato não assume um cargo de servidor público. Ele recebe uma delegação do Poder Público para administrar uma serventia extrajudicial, passando a atuar como tabelião ou oficial de registro, conforme o tipo de cartório conquistado.

Na prática, o titular administra o cartório e sua remuneração decorre dos serviços prestados à população, como registros de imóveis, casamentos, nascimentos, escrituras públicas, procurações, autenticações, reconhecimento de firmas e protestos de títulos.

Os valores cobrados por esses atos, chamados de emolumentos, são estabelecidos por lei estadual e fiscalizados pelo Poder Judiciário.

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Como funciona a remuneração dos cartórios?

Embora muita gente fale em “salário de cartório“, tecnicamente não existe salário.

O titular recebe a receita obtida pela serventia por meio dos emolumentos cobrados pelos serviços realizados diariamente. Quanto maior a demanda do cartório, maior tende a ser sua arrecadação.

Entretanto, essa arrecadação não representa o lucro do titular.

Antes de receber qualquer valor, o responsável pela serventia precisa custear toda a operação do cartório. Entre as principais despesas estão:

  • folha de pagamento dos funcionários;
  • aluguel ou manutenção do imóvel;
  • aquisição de equipamentos;
  • sistemas eletrônicos e tecnologia;
  • tributos;
  • despesas administrativas;
  • repasses obrigatórios previstos na legislação estadual e nacional.

Somente após o pagamento de todos esses custos é possível calcular o rendimento líquido do titular.

Por isso, dois cartórios que arrecadam valores semelhantes podem proporcionar lucros bastante diferentes, dependendo da estrutura administrativa e das despesas de cada unidade.

Leia também: Etapas do Concurso de Cartório: veja como funciona cada fase da seleção

Quanto um titular de cartório pode ganhar?

Não existe uma tabela salarial para a carreira.

Os rendimentos variam conforme diversos fatores, principalmente:

  • localização da serventia;
  • número de habitantes da cidade;
  • atividade econômica da região;
  • tipo de cartório;
  • volume diário de atendimentos;
  • capacidade de gestão do titular.

Cartórios instalados em pequenos municípios normalmente apresentam arrecadação mais modesta, podendo gerar rendimentos de poucos milhares de reais por mês.

Já serventias situadas em cidades médias costumam apresentar faturamento significativamente maior, permitindo ganhos elevados aos seus titulares.

Nos grandes centros urbanos, especialmente em capitais e regiões metropolitanas, existem cartórios cuja arrecadação alcança cifras milionárias. Dados do Painel Justiça Aberta, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que algumas serventias extrajudiciais arrecadam mais de R$ 1 milhão por mês, enquanto outras movimentam valores muito inferiores.

Essa diferença ocorre porque a receita depende diretamente da demanda pelos serviços prestados e do tipo de cartório administrado.

É importante lembrar, porém, que a arrecadação não corresponde ao ganho do titular. Do valor recebido, devem ser descontadas despesas com funcionários, estrutura física, sistemas de informática, tributos, manutenção e os repasses obrigatórios previstos na legislação. Somente após esses custos é possível calcular o rendimento líquido da serventia.

Essa desigualdade entre as serventias também aparece em levantamentos nacionais. Segundo dados divulgados pela Receita Federal e compilados pelo Ministério da Fazenda em 2026, os titulares de cartórios possuem o maior patrimônio médio declarado entre todas as profissões do país, de aproximadamente R$ 3,3 milhões, superando carreiras como magistrados, membros do Ministério Público e procuradores.

Embora patrimônio não seja o mesmo que remuneração, o dado ilustra o elevado potencial econômico da atividade quando exercida em serventias de grande movimentação.

Na prática, há titulares que recebem rendimentos modestos em cartórios de pequeno porte, enquanto outros, à frente de serventias de alta demanda, conseguem obter ganhos que ultrapassam R$ 100 mil mensais.

Por isso, dois candidatos aprovados no mesmo concurso podem ter remunerações completamente diferentes, dependendo da serventia escolhida.

Essa grande variação explica por que a carreira é considerada uma das mais rentáveis do meio jurídico, embora também exija gestão financeira, responsabilidade administrativa e cumprimento rigoroso das normas estabelecidas pelo Poder Judiciário.

Leia também: Quem deve fazer o ENAC? Entenda quem precisa do exame para concursos de cartórios

O tipo de cartório influencia diretamente nos ganhos

Outro fator determinante para a remuneração é o tipo de serventia conquistada.

Cartórios de Registro de Imóveis, por exemplo, costumam apresentar elevada arrecadação em municípios com forte mercado imobiliário, já que concentram registros de compra e venda, financiamentos e incorporações.

Os Tabelionatos de Notas também costumam movimentar valores expressivos devido à lavratura de escrituras, procurações, inventários e outros atos notariais.

cartórios de Registro Civil podem apresentar arrecadação menor em determinadas localidades, especialmente em municípios de pequeno porte, embora exerçam uma função essencial para a população.

Por isso, dois candidatos aprovados no mesmo concurso podem ter remunerações bastante diferentes, dependendo da serventia escolhida durante o processo de delegação.

Existe teto salarial?

Não. Como os titulares não ocupam cargo público remunerado por subsídio, não se aplica o teto constitucional previsto para servidores públicos.

Na prática, os rendimentos acompanham a arrecadação da serventia, sempre observadas as regras de repasses obrigatórios e a fiscalização exercida pelo Poder Judiciário.

Essa característica torna a carreira diferente da maior parte das funções públicas tradicionais.

Titular de cartório é servidor público?

Essa também é uma dúvida frequente e a resposta é não.

Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado por delegação do Poder Público, conforme determina o artigo 236 da Constituição Federal e a Lei nº 8.935/1994.

Assim, embora desempenhem uma função pública essencial, os titulares administram a serventia por sua própria conta e risco, respondendo pela gestão financeira, administrativa e operacional do cartório.

Como ingressar na carreira?

Desde 2024, os candidatos passaram a cumprir uma etapa obrigatória antes mesmo de disputar os concursos estaduais.

Trata-se do Exame Nacional dos Cartórios (ENAC), instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A aprovação no ENAC tornou-se requisito indispensável para inscrição nos concursos de cartórios promovidos pelos Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal.

O exame possui caráter apenas habilitatório. Ou seja, ser aprovado não garante uma serventia, mas permite que o candidato participe dos concursos públicos para delegações extrajudiciais.

Como é o ENAC?

O Exame Nacional dos Cartórios é realizado duas vezes por ano e consiste em uma prova objetiva aplicada simultaneamente em diversas capitais brasileiras.

Na edição de 2026, o exame contou com:

  • 100 questões de múltipla escolha;
  • duração de cinco horas;
  • disciplinas como Direito Notarial e Registral, Direito Civil, Constitucional, Administrativo, Tributário, Empresarial, Penal, Processual Civil e conhecimentos gerais.

Para ser habilitado, o candidato deve alcançar a nota mínima definida pelo CNJ. Após a homologação do resultado, é emitido um certificado com validade de seis anos, documento que permite a participação nos concursos estaduais durante esse período.

Vale a pena fazer concurso de cartório?

Sim! Além do elevado potencial de remuneração, a carreira oferece autonomia administrativa, estabilidade decorrente da delegação pública e atuação em uma atividade essencial para o funcionamento da sociedade.

Por outro lado, trata-se de uma carreira que exige alto grau de responsabilidade. O titular responde pela administração completa da serventia, pela qualidade do atendimento prestado, pela gestão financeira e pelo cumprimento das normas editadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelas corregedorias estaduais.

Assim, embora o potencial de ganhos seja um dos maiores entre as carreiras jurídicas, ele está diretamente ligado ao desempenho da serventia, ao volume de serviços prestados e à capacidade de gestão do titular.

É justamente essa combinação entre autonomia, responsabilidade e remuneração variável que faz dos concursos de cartórios alguns dos mais disputados do país.

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